Por «olhos irritados» entende-se qualquer estado de vermelhidão, ardor, lacrimejamento ou sensação de corpo estranho na conjuntiva ou na córnea. Há quatro causas que merecem uma distinção rigorosa. A irritação química (cloro, fumo, produtos cosméticos) exige uma lavagem ocular abundante e imediata. A irritação alérgica (pólen, ácaros) provoca rinoconjuntivite bilateral com comichão e lacrimejamento claro. A irritação mecânica (corpo estranho, lente de contacto) localiza-se precisamente e melhora após a lavagem. A irritação iatrogénica causada por conservantes (BKC dos colírios multidoses) é frequente nos utilizadores diários. Confundir alergia com infeção atrasa o tratamento — os corticosteroides locais são contraindicados em caso de infeção herpética mascarada.
A tanchagem (Plantago major, extrato aquoso) contém aucosídeos (aucubina, catalpol) com propriedades anti-inflamatórias e anti-histamínicas ligeiras — reduz a degranulação dos mastócitos conjuntivais. Em compressa ou colírio (infusão filtrada e arrefecida), acalma as vermelhidões alérgicas e mecânicas. O mel de manuka (metilglioxal, ≥ 400 MGO) está clinicamente comprovado no tratamento de blefarites bacterianas e de ligeiras irritações conjuntivais quando aplicado nas pálpebras (gel oftálmico de manuka) — estudo de Albietz & Lenton (2006), que confirma a sua eficácia tópica nas superfícies oculares.
A rinoconjuntivite alérgica afeta 20 a 30 % da população nos países de clima temperado. Os alérgenos sazonais depositam-se simultaneamente na conjuntiva e na mucosa nasal, que partilham o mesmo sistema de drenagem linfática, desencadeando uma reação mediada por IgE com libertação de histamina.A alergia ocular sazonal responde aos anti-histamínicos orais e aos colírios antialérgicos (ketotifeno, cromoglicato) — os corticosteroides locais são reservados para as formas graves e requerem receita médica.
A equinácea (Echinacea purpurea, extrato padronizado) estimula os macrófagos e as células NK da mucosa conjuntival através dos recetores TLR4. A sua ação imunoestimulante melhora a resposta inata contra agentes infecciosos virais (adenovírus) e bacterianos. Como complemento preventivo, reduz a frequência e a duração dos episódios de rinoconjuntivite infecciosa, de acordo com a meta-análise Cochrane (2015) — sem efeito nas formas alérgicas.
A compressa fria (5-10 minutos) é indicada para a irritação alérgica e química — o frio reduz a vasodilatação e a degranulação mastocitária. A compressa quente (40 °C, 10 minutos) é indicada para a blefarite e a MGD — o calor fluidifica as secreções meibomianas obstruídas. Em caso de conjuntivite infecciosa, ambas são contraindicadas sem limpeza prévia. Associada a uma rinite alérgica ou infecciosa, a combinação de compressa fria nos olhos + lavagem nasal com soro fisiológico constitui a abordagem mais completa.
Certos sinais exigem uma consulta oftalmológica urgente (no prazo de 24 horas) e nunca devem ser tratados com automedicação. Qualquer diminuição da visão associada a vermelhidão ocular, qualquer fotofobia intensa (sinal de ceratite ou uveíte), qualquer traumatismo direto (corpo estranho penetrante, choque químico grave), qualquer afetação unilateral com secreções purulentas abundantes (conjuntivite bacteriana grave ou gonocócica) e qualquer episódio recorrente apesar de um tratamento inicial justificam um exame oftalmológico. A automedicação prolongada com vasoconstritores (naftazolina) provoca um efeito rebote e pode mascarar uma patologia subjacente grave.