O que são as varizes e como se formam?
As varizes são dilatações permanentes e irreversíveis das veias superficiais dos membros inferiores, resultantes da insuficiência das válvulas venosas e da perda de tónus parietal. Constituem o estádio C2 da classificação CEAP (Clinical-Etiology-Anatomy-Pathophysiology), que vai de C0 (assintomático) a C6 (úlcera venosa ativa). É indispensável realizar um exame vascular logo que surjam varizes sintomáticas. Os cuidados venosos estão disponíveis nas gamas «pernas pesadas » e «circulação venosa » da loja.
- Mecanismo fisiopatológico: insuficiência das válvulas venosas → refluxo sanguíneo retrógrado → hipertensão venosa crónica → dilatação progressiva das paredes venosas → círculo vicioso autoalimentado
- Formas clínicas: varizes tronculares (safenas grandes e pequenas — dilatações > 3 mm, visíveis e tortuosas) — varizes reticulares (1–3 mm — azuis subcutâneas) — telangiectasias ou varicosidades (< 1 mm — «veias de aranha» vermelhas ou violáceas)
- Fatores de risco: hereditariedade (principal fator — risco × 3 se ambos os pais forem afetados) — sexo feminino (hormonas que relaxam as paredes venosas) — gravidez (compressão ilio-femoral + progesterona + hipervolemia) — permanência prolongada em pé — excesso de peso (hipertensão venosa abdominal) — idade — tabagismo (Serviço de Informação sobre o Tabaco: 3989)
- Distinguir varizes de pernas pesadas: as varizes são um achado anatómico objetivo (lesão visível) — as pernas pesadas são um sintoma subjetivo — ambas coexistem frequentemente, mas nem sempre
Quais são as complicações das varizes e quando se deve procurar atendimento de urgência?
- Tromboflebite superficial: inflamação e trombose de uma veia varicosa — cordão vermelho, quente e doloroso ao longo do trajeto da variz — risco de extensão para a junção safeno-femoral → flebite (TVP) — consulta médica urgente
- Úlcera venosa (CEAP C6): ferida crónica no tornozelo resultante de hipertensão venosa grave e prolongada — dermatite ocre, hiperpigmentação e lipodermatosclerose prévias — tratamento especializado (enfermeiro + angiologista + fisioterapia)
- Ruptura varicosa: hemorragia externa devido à ruptura de uma variz superficial — compressão direta imediata e elevação do membro → ligar para o 15 se o sangramento não for controlado
- Avaliação vascular indispensável: ecografia Doppler venosa (mapeamento do refluxo — junções safénicas, segmentos incompetentes) — realizada pelo angiologista — orienta a escolha terapêutica
Tratamentos médicos e suplementos naturais para as varizes
- Meias de compressão: classe 2 ou 3 (20–36 mmHg) mediante prescrição médica — tratamento de referência — calçadas de manhã, antes de se levantar — nunca usar em caso de arteriopatia dos membros inferiores
- Escleroterapia: injeção de um agente esclerosante (agente químico ou espuma) — oclusão química da veia — eficaz nas varizes reticulares e telangiectasias — são necessárias várias sessões — realizada pelo angiologista
- Técnicas endovenosas térmicas: laser endovenoso ou radiofrequência — termocoagulação da veia safena maior — em regime ambulatório — muito eficaz com poucas cicatrizes
- Cirurgia (stripping): extração da safena maior — indicada para varizes safénicas de grande dimensão, sob anestesia geral ou locorregional
- Escina (castanha-da-Índia): venotónica e anti-edematosa — uso bem estabelecido na VCI — em gel tópico ou cápsulas — contribui para o conforto venoso como complemento dos tratamentos — contraindicação com anticoagulantes
- Videira vermelha: OPC vasoprotetores — reforça as paredes venosas — EMA — ver circulação venosa
- Bioflavonóides (diosmina, hesperidina): redução da permeabilidade capilar e da hipertensão venosa — dados clínicos sólidos na IVC