O que é o lúpulo medicinal?
O lúpulo (Humulus lupulus) é uma planta trepadeira europeia cujos cones florais femininos (estrobilos) concentram os princípios ativos: flavonoides (xantohumol, 8-prenilnaringenina), ácidos amargos (humulona, lupulona), resinas e óleos essenciais.
Reconhecido pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para o alívio do stress mental ligeiro, do nervosismo e dos distúrbios do sono, o lúpulo partilha as suas indicações com a valeriana e a passiflora. A sua particularidade reside na presença de fitoestrogénios, o que lhe confere um interesse adicional no tratamento de distúrbios hormonais femininos. No que diz respeito à fitoterapia em geral, existem recursos complementares.
Quais são os benefícios reconhecidos?
O lúpulo é tradicionalmente utilizado para:
- Facilitar o adormecimento e melhorar a qualidade do sono
- Acalmar a nervosidade, o stress e a agitação
- Acompanhar a menopausa: ondas de calor, suores noturnos, alterações de humor (efeito fitoestrogénico)
- Apoiar a digestão: apetite, secreções digestivas através dos compostos amargos
- Aliviar as tensões musculares relacionadas com o stress
A sua utilização está documentada há séculos e confirmada por vários estudos modernos, nomeadamente em associação com a valeriana. No que diz respeito à valeriana e à passiflora em geral, existem recursos específicos.
Em que formas deve ser utilizada?
Estão disponíveis várias formas farmacêuticas, consoante as necessidades:
- Infusão de cones: 1 colher de sopa para 250 ml de água a ferver, 10 min, 1 a 2 chávenas ao fim da tarde (sabor amargo característico)
- Cápsulas de extrato seco: 300 a 600 mg/dia para o sono e o stress
- Extrato líquido ou tintura-mãe: 30 a 50 gotas, 1 a 2 vezes por dia (contra-indicado em crianças)
- Complexos hormonais femininos que combinam lúpulo, salva e agnocasto para a menopausa
- Associações para o sono: lúpulo + valeriana + passiflora (sinergia sedativa)
- Maceração de botões na gemoterapia para um efeito modulador suave
Uma cura típica dura 2 a 4 semanas com uma pausa, idealmente à noite para o sono. Para a erva-cidreira e o tília, em geral, existem recursos específicos.
Que precauções devem ser tomadas?
O efeito fitoestrogénico impõe precauções específicas:
- Cancros hormono-dependentes (mama, ovário, útero, próstata): contra-indicação absoluta
- Endometriose, miomas uterinos, mastopatias: recomenda-se evitar a utilização sem aconselhamento médico
- Gravidez e amamentação: uso contraindicado
- Crianças: uso desaconselhado antes da adolescência
- Antecedentes de depressão: precaução (efeito sedativo e controvérsia quanto ao humor)
- Condução e utilização de máquinas: precaução no início do tratamento (possível sonolência)
- Interações medicamentosas: sedativos, terapia hormonal (contraceção, tamoxifeno, terapia hormonal de substituição), álcool
- Duração limitada: não exceder 4 semanas sem uma pausa nem aconselhamento profissional
Para o sono, o stress e a ansiedade em geral, existem recursos específicos.
Quando combiná-lo e para que indicação?
O lúpulo presta-se bem a associações específicas:
- Insónia: lúpulo + valeriana + passiflora + escholtzia
- Stress crónico: lúpulo + melissa + magnésio + espinheiro-alvar
- Menopausa: lúpulo + sálvia + actéia em cachos (mediante aconselhamento médico, tendo em conta as contraindicações)
- Síndrome pré-menstrual: lúpulo + agno-casta (chasteberry)
- Digestão associada ao stress: lúpulo + melissa + funcho
O lúpulo continua a ser um apoio transitório que se integra numa abordagem global: estilo de vida saudável, atividade física, sono regular e alimentação equilibrada. Não substitui nem um tratamento médico nem uma consulta em caso de distúrbios persistentes. O seu farmacêutico titular continua a ser um interlocutor valioso para orientar a escolha da combinação adequada, verificar as contraindicações e acompanhar o tratamento, em complemento ao acompanhamento médico adequado. No que diz respeitoà espinheira-alvar e ao magnésio em geral, existem recursos específicos.