O potássio é um mineral essencial que atua como um dos principais eletrólitos no interior das células, onde regula o equilíbrio hídrico, a transmissão dos impulsos nervosos e a contração muscular, incluindo a do músculo cardíaco. Ao contrário do sódio, que se encontra principalmente no exterior das células, o potássio concentra-se sobretudo no compartimento intracelular, um gradiente mantido ativamente pela bomba de sódio-potássio presente em todas as células do organismo. Trabalha em estreita sinergia com o magnésio e o sódio para manter o equilíbrio eletrolítico global, podendo um desequilíbrio entre estes minerais afetar simultaneamente várias funções fisiológicas.
Uma deficiência de potássio (hipocalemia) manifesta-se através de fraqueza muscular, cãibras, fadiga invulgar e, nos casos mais graves, perturbações do ritmo cardíaco que podem constituir uma emergência médica. Estas situações graves são raras fora de contextos específicos (vómitos ou diarreias prolongadas, certos tratamentos diuréticos) e requerem uma intervenção médica rápida, em vez de uma auto-suplementação.
Contrariamente ao lugar-comum que associa sistematicamente o potássio à banana, muitos outros alimentos são mais ricos neste mineral: batatas (com casca), leguminosas, espinafres, abacate, frutos secos e bananas-da-terra. Uma alimentação variada e rica em frutas e legumes cobre geralmente as necessidades diárias sem recorrer a suplementos, sobretudo porque as perdas hídricas significativas (transpiração, calor intenso) aumentam as necessidades e justificam uma hidratação adequada em paralelo.
O potássio favorece a eliminação renal do sódio e contribui para o relaxamento das paredes vasculares, dois mecanismos que participam na manutenção de uma pressão arterial normal. Uma ingestão alimentar suficiente de potássio está associada, em estudos populacionais, a um melhor perfil de pressão arterial, o que o torna um elemento de interesse no acompanhamento nutricional dahipertensão arterial, sempre como complemento e não como substituto do tratamento prescrito.
A alimentação ocidental moderna tende a ser rica em sódio (sal, alimentos transformados) e relativamente pobre em potássio em comparação com as ingestões tradicionais, o que altera a relação sódio/potássio de forma desfavorável ao equilíbrio da pressão arterial. Aumentar a proporção de frutas e legumes frescos, reduzindo simultaneamente os alimentos ultraprocessados, permite reequilibrar naturalmente esta relação sem recorrer a uma suplementação isolada de potássio.
As pessoas com insuficiência renal devem, imperativamente, limitar a sua ingestão de potássio sob rigoroso controlo médico: os rins com função reduzida eliminam menos eficazmente o excesso de potássio, expondo-as a um risco de hipercalemia que pode provocar distúrbios cardíacos graves. Certos tratamentos (diuréticos poupadores de potássio, inibidores da enzima de conversão, anti-inflamatórios) também alteram a eliminação do potássio e requerem um acompanhamento biológico regular caso sejam administrados em associação.
Ao contrário de outros minerais, como o cálcio ou o magnésio, a suplementação isolada de potássio em doses elevadas é rigorosamente regulamentada e, geralmente, reservada a prescrição médica após análises clínicas, devido à margem estreita entre a carência e o excesso perigoso para o coração. Os suplementos alimentares disponíveis no mercado contêm, aliás, doses de potássio deliberadamente limitadas devido a esta restrição regulamentar. Para a grande maioria das pessoas, dar preferência a uma alimentação rica em frutas e legumes continua a ser a forma mais segura e eficaz de cobrir as necessidades diárias de potássio.