Conteúdo elaborado com fins informativos e validado pelo Dr. Arnaud, Doutor em Farmácia. Este artigo não substitui um parecer médico individualizado. Em caso de dor intensa, deformação visível, febre, ferida aberta no joelho ou impossibilidade de apoiar o joelho, consulte rapidamente um médico ou dirija-se ao serviço de urgências. Fontes: Alta Autoridade de Saúde (HAS), Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos (ANSM), Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica (Inserm).
Quais são as principais causas das dores no joelho?
As dores no joelho estão entre os motivos mais frequentes de consulta médica. Muitas vezes, coexistem várias causas:
- Lesões ligamentares: entorses, rupturas (LCA, LCP, ligamentos colaterais), frequentemente de origem desportiva.
- Lesões meniscais: traumáticas nos jovens, degenerativas após os 40 anos.
- Artrose do joelho (gonartrose): desgaste da cartilagem articular, principal causa de dores crónicas após os 50 anos.
- Patologias tendinosas: tendinopatias patelares ou da «pata de ganso», frequentes em desportistas.
- Síndrome rotuliana: dor anterior de localização imprecisa, comum em corredores.
- Bursites: inflamação das bolsas serosas periarticulares.
- Artrites inflamatórias (reumatoide, psoriática, microcristalina): requerem um tratamento médico específico.
- Microtraumatismos repetidos: comuns em casos de sobrecarga mecânica, excesso de peso ou mau alinhamento.
As dores articulares generalizadas também podem afetar o joelho no contexto de reumatismos sistémicos.
Como reconhecer os sintomas de um problema no joelho?
Os sintomas variam consoante a causa:
- Dor localizada ou difusa, mecânica (durante o esforço) ou inflamatória (em repouso e à noite).
- Inchaço (derrame intra-articular).
- Rigidez, sobretudo ao levantar-se («rigidez matinal») ou após um período de imobilidade prolongada.
- Sensação de estalido, encravamento ou bloqueio articular.
- Instabilidade, sensação de que a articulação cede ao caminhar.
- Limitação da amplitude articular.
- Cludicação, dificuldade ao subir ou descer escadas.
A análise precisa dos sintomas (localização, fatores desencadeantes, horário, irradiação, sinais associados) orienta o diagnóstico.
Quais são os tratamentos para as dores no joelho?
O tratamento depende da causa. Em primeira linha, privilegiam-se abordagens conservadoras:
- Repouso relativo: reduzir a carga sem imobilizar totalmente (um joelho imobilizado durante demasiado tempo fica rígido).
- Gelo na fase aguda (15 a 20 minutos várias vezes por dia, nunca diretamente sobre a pele).
- Elevação do membro para limitar o edema.
- Analgésicos: paracetamol como primeira opção, respeitando as doses recomendadas (toxicidade hepática acima das doses indicadas pela ANSM).
- AINEs (ibuprofeno, cetoprofeno tópico, nomeadamente): sob aconselhamento farmacêutico por períodos curtos (geralmente 3 a 5 dias), a evitar em caso de patologias digestivas, renais, cardiovasculares ou durante a gravidez, de acordo com as recomendações.
- Fisioterapia: pilar fundamental na maioria das situações (mobilidade, reforço do quadríceps e dos estabilizadores, educação terapêutica).
- Dispositivos ortopédicos: joelheira adaptada, palmilhas, bengalas, se necessário.
- Infiltrações (corticosteroides intra-articulares, ácido hialurónico, conforme as indicações): procedimentos médicos realizados por um reumatologista ou por um médico com formação específica.
- Cirurgia como último recurso: artroscopia para certas lesões meniscais, reconstrução ligamentar (LCA), prótese total ou unicompartimental na gonartrose avançada.
A HAS publicou recomendações específicas para o tratamento da gonartrose, que colocam a atividade física adaptada e a fisioterapia no centro do tratamento, antes das opções medicamentosas prolongadas ou cirúrgicas.
A cirurgia é frequentemente necessária para o joelho?
A cirurgia ao joelho só é realizada após o insucesso dos tratamentos conservadores ou na presença de lesões estruturais que exijam reparação (ruptura do LCA num desportista jovem, lesão meniscal instável, gonartrose avançada incapacitante). As técnicas atuais incluem:
- Artroscopia para determinadas lesões meniscais ou cartilaginosas específicas.
- Reconstrução do LCA, mais frequente em jovens desportistas ou em doentes com elevadas exigências a nível articular.
- Prótese de joelho (total ou unicompartimental) para a gonartrose avançada com impacto funcional significativo.
A decisão é tomada em conjunto com o cirurgião ortopédico após uma avaliação completa, e a reabilitação pós-operatória é determinante para o resultado.
Como prevenir problemas nos joelhos?
Existem várias medidas preventivas eficazes:
- Atividade física regular, mas moderada, com progressão gradual.
- Aquecimento completo antes do esforço e alongamentos suaves a seguir.
- Fortalecimento dos quadríceps, dos isquiotibiais e da musculatura estabilizadora (músculos do tronco, glúteos).
- Calçado adequado à atividade, palmilhas corretivas em caso de apoio incorreto.
- Índice de massa corporal equilibrado: cada quilo a mais aumenta as tensões mecânicas no joelho e aceleraa artrose.
- Evitar impactos repetidos em solo duro sem amortecimento.
- Hidratação e alimentação equilibrada.
Que desportos favorecem as lesões no joelho?
Os desportos com mudanças bruscas de direção, saltos, piruetas e paragens abruptas expõem mais as estruturas do joelho:
- Futebol, basquetebol, andebol, râguebi, futebol americano.
- Esqui alpino (nomeadamente rupturas do LCA).
- Ténis, badminton, desportos com raquete.
- Trail, corrida de longa distância.
- Desportos de combate que envolvem apoios dinâmicos.
A prevenção passa por um treino estruturado, pelo respeito pelos tempos de recuperação, pelo trabalho proprioceptivo e pelo uso de equipamento adequado. As dores ligamentares e as lesões tendinosas (nomeadamentea tendinite rotuliana) são as mais frequentes na patologia desportiva.
Como diagnosticar uma lesão no joelho?
O diagnóstico de uma lesão no joelho baseia-se em:
- Entrevista: mecanismo do traumatismo (rotação, varo/vago, impacto direto), evolução, sinais funcionais.
- Exame clínico: testes específicos (Lachman, testes de «tiroirs», McMurray, sinais meniscais e ligamentares), deteção de derrame.
- Exames de imagem complementares, consoante a orientação: radiografias padrão (ossos, artrose), ressonância magnética (ligamentos, meniscos, cartilagem, estruturas tendinosas), ecografia (tendões, bursites, derrames).
Estes exames permitem um diagnóstico preciso e a elaboração de um plano terapêutico adequado.
Que remédios naturais existem para aliviar a dor no joelho?
Várias abordagens complementares podem contribuir para o bem-estar, sem substituir o tratamento médico:
- Aplicação de compressas quentes em dores crónicas (rigidez, contraturas) ou de frio em crises agudas (edema, inflamação).
- Automassagens suaves dos músculos periarticulares.
- Suplementos à base de glucosamina e condroitina: amplamente estudados na gonartrose, a sua eficácia continua a ser objeto de debate na literatura e nas recomendações internacionais. A HAS, nas suas posições mais recentes, considera que o seu benefício clínico é modesto. A discutir com um médico ou farmacêutico.
- Ómega-3, antioxidantes alimentares, harpagofito, curcuma: utilizados como complemento, tendo em atenção as interações medicamentosas (nomeadamente anticoagulantes) e as contraindicações individuais.
- Atividade física suave e adaptada (caminhada, bicicleta, natação, hidroginástica).
Nenhum suplemento substitui um diagnóstico médico nem um tratamento prescrito.
Quando consultar um médico por causa de dores no joelho?
É necessária uma consulta médica nos seguintes casos:
- Dor intensa, que persista por mais de alguns dias apesar das medidas simples.
- Inchaço significativo ou que tenha surgido repentinamente.
- Impossibilidade de apoiar o pé no chão ou de dobrar o joelho.
- Instabilidade, sensação de que o joelho cede ou de bloqueio.
- Deformação visível do joelho.
- Febre associada, vermelhidão extensa, calor (suspeita de artrite séptica: urgência).
- Ferida aberta em comunicação com a articulação: urgência absoluta.
- Antecedentes específicos (anticoagulantes, imunossupressão, prótese, cancro conhecido).
Em caso de traumatismo grave, dor insuportável, perda acentuada de função ou suspeita de artrite séptica, dirija-se imediatamente ao serviço de urgências.
Quais são os avanços recentes no tratamento do joelho?
Várias evoluções têm enriquecido o tratamento nos últimos anos:
- Cirurgias artroscópicas menos invasivas, tempos de internamento reduzidos, recuperação facilitada.
- Próteses de nova geração, por vezes com assistência robótica para otimizar o posicionamento.
- Injeções de plasma rico em plaquetas (PRP): utilizadas em certas tendinopatias e artroses, ainda em fase de avaliação científica, com nível de evidência heterogéneo. Procedimento médico especializado, geralmente não reembolsado.
- Terapias celulares (células estaminais mesenquimais): ainda numa fase largamente experimental ou em investigação clínica, acessíveis apenas em contextos médicos controlados. Desconfiança em relação a ofertas comerciais não supervisionadas.
- Programas de reabilitação supervisionada e de prevenção secundária mais bem estruturados.
Todas estas abordagens devem ser avaliadas caso a caso, com um médico especialista, num quadro ético e científico definido.
Quando consultar um médico? Qualquer dor intensa e persistente no joelho, acompanhada de febre, inchaço acentuado, impossibilidade de apoiar o joelho ou ferida aberta, exige uma consulta médica imediata. Em caso de sinais sugestivos de artrite séptica (febre, joelho vermelho, quente e muito doloroso), dirija-se imediatamente ao serviço de urgências.
Fontes: HAS — recomendações sobre gonartrose e lesões meniscais; ANSM — uso adequado de AINEs e analgésicos; Inserm — dossiers sobre artrose e patologias articulares.