A hera trepadeira (Hedera helix L.) é uma planta trepadeira perene da família das Araliáceas, comum na Europa e na Ásia. Na fitoterapia e na cosmética, são utilizadas as suas folhas, ricas em saponinas triterpénicas (hederacósido C, alfa-hederina), em flavonoides e em polifenóis. Estes compostos explicam as suas duas principais áreas de aplicação: o uso médico reconhecido de xaropes contra a tosse com catarro e o uso cosmético em tratamentos de emagrecimento e drenagem. A distinguir da página sobre a hera em geral. Uma vez que as folhas frescas são tóxicas quando ingeridas, apenas são utilizados extratos farmacêuticos padronizados.
As folhas de hera (Hederae folium) são objeto de uma monografia da EMA que reconhece uma utilização bem estabelecida (well-established use) como expectorante no tratamento da tosse produtiva. As saponinas ajudam a fluidificar as secreções brônquicas. Os xaropes de extrato padronizado de hera (medicamentos de venda livre) estão entre os fitomedicamentos respiratórios mais prescritos. Em casos de bronquite aguda com congestão, podem complementar o tratamento das vias respiratórias. Uma tosse que persista por mais de 7 dias, acompanhada de febre ou falta de ar, requer uma consulta médica.
Na cosmética, o extrato de hera é um princípio ativo de referência nos cuidados direcionados à celulite e à silhueta:
O extrato de hera é tradicionalmente apreciado pelo seu efeito descongestionante cosmético, devendo ser integrado numa abordagem global que inclua atividade física e uma alimentação equilibrada para a perda de peso.
Para o conforto das pernas pesadas, o extrato de hera integra-se em tratamentos cosméticos com efeito descongestionante e tonificante. Aplicado em gel fresco nas panturrilhas, subindo dos tornozelos em direção aos joelhos, proporciona uma sensação de leveza apreciada no final do dia ou em períodos de calor. Os movimentos de massagem ascendentes acompanham a drenagem cosmética. De combinar com gestos simples: elevar as pernas, tomar um duche fresco nas panturrilhas, caminhar regularmente, usar meias de compressão médicas, se recomendado por um médico. Preservar a barreira cutânea através de uma hidratação adequada completa estes cuidados.
O extrato de hera é utilizado em alguns bálsamos e óleos de massagem destinados ao conforto dos músculos sobrecarregados. Para proporcionar conforto após o esforço físico ou em caso de dores musculares, misture o extrato cosmético de hera com um óleo vegetal neutro (amêndoa doce, árnica) e massageie as zonas afetadas com movimentos circulares. A massagem, por si só, contribui para o relaxamento e o alívio das tensões, para além do princípio ativo utilizado. Estas preparações destinam-se a uso estritamente externo, nunca devendo ser aplicadas sobre pele lesionada. Recomenda-se um teste na dobra do cotovelo durante 48 horas, devido ao potencial irritante das saponinas da hera em peles sensíveis. Evite a zona ao redor dos olhos e as mucosas.
A hera trepadeira está disponível em várias formas, dependendo da utilização. O xarope de extrato padronizado de folhas (Prospan e outros) constitui o medicamento de referência para a tosse com catarro, nas farmácias. As cápsulas de extrato seco padronizado em hederacósido C constituem uma alternativa galénica para o sistema respiratório. Na área da cosmética, os cremes e géis adelgaçantes com extrato de hera estão disponíveis em parafarmácias. Os bálsamos de massagem e os géis para as pernas completam a oferta cosmética. Alguns champôs purificantes incluem extrato de hera para o conforto do couro cabeludo. Marcas de referência: Prospan, Boiron, Lehning, Naturactive (área respiratória), Weleda, Cattier, Somatoline (cosméticos adelgaçantes). Dê preferência aos extratos padronizados provenientes de culturas controladas.
A hera trepadeira exige precauções rigorosas devido à sua toxicidade natural. As folhas frescas nunca devem ser consumidas nem aplicadas tal como estão: contêm saponinas e falcarinol, que podem ser irritantes para o sistema digestivo e para a pele. Apenas os extratos padronizados farmacêuticos ou cosméticos são seguros. As bagas da hera são tóxicas e nunca devem ser ingeridas (risco de distúrbios digestivos e neurológicos). As mulheres grávidas ou a amamentar devem evitar a hera por precaução, na ausência de estudos de segurança suficientes. As crianças pequenas só devem receber xarope de hera mediante recomendação médica (existem formulações pediátricas com posologia adaptada). É obrigatório realizar um teste na dobra do cotovelo durante 48 horas antes de qualquer utilização cutânea prolongada, uma vez que a hera é um alérgeno de contacto conhecido. Em caso de ingestão acidental de folhas ou bagas, contacte um centro de intoxicações.
Vários critérios ajudam a identificar um produto fiável. Para utilizações respiratórias, dar preferência a xaropes e extratos padronizados em hederacósido C, medicamentos validados em farmácia com posologia precisa. O selo Bio AB ou Ecocert garante um cultivo sem pesticidas para os extratos cosméticos. A padronização em princípios ativos (saponinas) deve constar nos extratos farmacêuticos. Para os cuidados cosméticos de emagrecimento, verifique a lista INCI completa e dê preferência a formulações que combinem a hera com outros princípios ativos drenantes reconhecidos.A origem rastreável (principalmente da Europa) e a ausência de perfumes sintéticos agressivos são garantias de qualidade. A embalagem adequada (frasco opaco, tubo hermético) preserva a estabilidade dos princípios ativos. Evite produtos artesanais não padronizados devido ao risco toxicológico das folhas em bruto.