O que é a anorexia mental e como se manifesta?
A anorexia mental é um distúrbio alimentar grave, caracterizado por uma restrição alimentar intencional e persistente que conduz a um peso significativamente baixo, a um medo intenso de ganhar peso (mesmo em caso de subpeso real) e a uma perceção distorcida do próprio corpo. É um dos transtornos psiquiátricos com a taxa de mortalidade mais elevada. A cura é possível — quanto mais precoce for o tratamento, melhores serão os resultados. A Federação Francesa de Anorexia e Bulimia (FFAB) está disponível através do número 09 69 325 900 para ouvir e orientar.
- Duas formas principais (DSM-5): forma restritiva pura (restrição alimentar severa ± exercício físico excessivo, sem episódios de crises/purgas) — forma com crises de bulimia e/ou purgas (restrição + episódios de alimentação compulsiva e/ou vómitos, laxantes) — esta segunda forma pode coexistir ou evoluir para uma bulimia nervosa
- Anorexia com peso normal: é possível sofrer de anorexia mantendo um peso dentro dos limites normais — a distorção da imagem corporal e os comportamentos restritivos estão presentes sem perda de peso visível — menos diagnosticada, mas igualmente grave — a anorexia é, acima de tudo, um distúrbio psicológico
- Sinais comportamentais e físicos: restrição alimentar severa (contagem obsessiva de calorias, evitação de alimentos «proibidos») — exercício físico compulsivo — disfarce da magreza com roupa larga — rituais alimentares (cortar os alimentos em pedaços pequenos, comer muito lentamente) — intolerância ao frio — fadiga crónica — amenorreia (cessação da menstruação) — lanugo (pêlos finos na pele, reação à desnutrição)
- Fatores de risco: perfeccionismo e baixa autoestima — perturbações de ansiedade e depressão pré-existentes — traumas (físicos, sexuais, emocionais) — pressões sociais e imposições de magreza — antecedentes familiares de TCA ou de perturbações do humor — práticas desportivas ou artísticas que valorizam a magreza (dança, ginástica, natação sincronizada)
- Prevalência e mortalidade: afeta 0,5–1 % das mulheres e 0,1–0,3 % dos homens — aparecimento frequente na adolescência (13–18 anos) — mortalidade de 5–10 % (a mais elevada entre os distúrbios psiquiátricos) devido a complicações médicas e ao risco de suicídio — importância crucial do rastreio precoce
Consequências médicas da desnutrição crónica
- Ossos e osteoporose: a desnutrição + a amenorreia (queda dos estrogénios) provocam uma perda óssea rápida e irreversível — risco de fraturas patológicas — a adolescência é o período crítico para a formação do capital ósseo — as carências de cálcio e vitamina D3 agravam este risco — recomenda-se a realização de uma densitometria óssea (DXA) a partir dos 6 meses de amenorreia
- Complicações cardíacas: bradicardia (frequência cardíaca < 60 bpm), hipotensão, prolongamento do intervalo QT (risco de arritmias fatais) — o coração é um músculo que também se deteriora em caso de desnutrição — principal causa de mortalidade na anorexia — monitorização sistemática por ECG durante o acompanhamento
- Distúrbios eletrolíticos: hipocalemia (diminuição do potássio) — hipofosfatemia (risco de síndrome de renutrição durante a retomada da alimentação) — hiponatremia — hipomagnesemia — estes desequilíbrios podem ser letais e exigem um acompanhamento biológico regular
- Carências nutricionais graves: carência de zinco (alteração do paladar e do apetite, queda de cabelo, imunodeficiência) — carência de ferro (anemia, fadiga profunda) — carência de magnésio (cãibras, ansiedade acentuada, distúrbios do sono) — as vitaminas B, D, C e o zinco devem ser avaliados e corrigidos no âmbito do acompanhamento médico
- Outras complicações: distúrbios gastrointestinais (obstipação grave, gastroparesia) — infertilidade associada à amenorreia — atrofia cerebral parcial reversível devido à desnutrição — imunodeficiência com infeções frequentes — complicações endócrinas (hipotiroidismo funcional) — paragem do crescimento na adolescente
Tratamento multidisciplinar e gestão
- Objetivos do tratamento: restabelecer um peso adequado (IMC ≥ 17,5, geralmente) — corrigir as complicações médicas — tratar os distúrbios psicológicos subjacentes — restabelecer uma relação saudável com a alimentação e com o próprio corpo — prevenir recaídas — a recuperação do peso, por si só, não é suficiente sem um trabalho psicológico
- Psicoterapia: TCC (terapia cognitivo-comportamental) — terapia familiar baseada no método de Maudsley (eficaz em adolescentes, envolve fortemente a família na realimentação) — TCC-E (TCC melhorada, transdiagnóstica para todos os TCA) — terapia de aceitação e compromisso (ACT) — duração do tratamento frequentemente longa (1–5 anos)
- Realimentação médica: sempre progressiva para evitar a síndrome de realimentação (hipofosfatemia aguda na retomada da alimentação → complicações cardíacas graves) — hospitalização se o IMC for < 13, houver complicações cardíacas ou recusa alimentar total — realimentação por sonda nasogástrica, se necessário — alimentação enriquecida em calorias e micronutrientes
- Equipa especializada em TCA: psiquiatra/psicólogo + pediatra ou internista + nutricionista especializado em TCA + médico de família — estruturas especializadas: unidades hospitalares de TCA, consultas especializadas, hospitais de dia — coordenação essencial entre todos os profissionais envolvidos — evitar profissionais de saúde sem formação em TCA
- Apoio aos familiares: a família está frequentemente na linha da frente e pode sentir-se sobrecarregada — existem programas de acompanhamento familiar (grupos de apoio, terapia familiar) — evitar comentários sobre o peso, a comida ou as quantidades — não vigiar as refeições de forma hostil — encorajar sem forçar — recursos da FFAB: 09 69 325 900 e anorexie-boulimie.fr
Cura, prevenção e recursos em França
- Cura possível e comprovada: 50–70 % das pessoas recuperam-se completamente com um tratamento adequado — a cura é um processo longo (muitas vezes 5–7 anos) com possíveis recaídas — as recaídas fazem parte do processo e não significam um fracasso — o tratamento precoce é o melhor fator prognóstico
- Prevenção: promoção de uma imagem corporal positiva e da diversidade corporal desde a infância — desconstruir os padrões de magreza impostos pelos meios de comunicação social e pelas redes sociais — rastreio precoce por parte de médicos escolares, pediatras e médicos de família — formação de profissionais de saúde e do sistema educativo nacional
- Recursos disponíveis: FFAB — 09 69 325 900 (seg–sex 9h–21h, sáb 9h–18h) — anorexie-boulimie.fr — 3114 (número nacional de prevenção do suicídio, 24 horas por dia) — Fil Santé Jeunes: 3224 — estruturas de cuidados para TCA: lista disponível no site da FFAB
- Papel dos suplementos nutricionais: no âmbito de um acompanhamento médico, a correção de carências (cálcio, vitamina D3, zinco, ferro, magnésio) através de uma alimentação enriquecida e de suplementos específicos faz parte do protocolo de renutrição — consulte as nossas gamas para carências nutricionais e remineralização óssea — sempre sob supervisão médica neste contexto
- Procure ajuda agora: se acha que sofre de anorexia ou se está preocupado com a sua alimentação e a sua relação com o seu corpo, fale com o seu médico de família sem demora — merece receber ajuda — a recuperação é possível e começa com este primeiro passo