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Soro fisiológico: utilização oftalmológica, nasal, pediátrica e no tratamento de feridas

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O soro fisiológico: composição e propriedades físico-químicas

O soro fisiológico (solução de cloreto de sódio a 0,9 % em água para preparações injetáveis) é a solução de referência para todos os cuidados das mucosas e das feridas. A sua isotonia (osmolaridade ≈ 308 mOsm/kg, idêntica à do plasma sanguíneo e das lágrimas) torna-a a solução mais bem tolerada por todos os epitélios: conjuntival, nasal, mucoso e cutâneo. O seu pH, naturalmente próximo de 5,5 a 6,5, é compatível com os microbiomas, sem os perturbar. A sua composição binária (água + NaCl) garante a ausência total de excipientes irritantes — o seu principal ponto forte em relação às soluções formuladas com conservantes. Em monodoses estéreis, o prazo de validade é de 24 horas após a abertura.

A utilização oftálmica do soro fisiológico: quando e como?

O soro fisiológico é a primeira solução a utilizar em caso de irritação ocular mecânica ou química (poeira, corpo estranho, produto químico, cloro da piscina). A sua ação é puramente mecânica: a lavagem dilui e elimina o agente irritante. Não hidrata a superfície ocular como o ácido hialurónico e não trata nenhuma patologia — não substitui as lágrimas artificiais no caso de secura crónica. Para lavagens oculares de emergência, as doses únicas de 5 a 10 ml permitem uma lavagem completa do fundo de saco conjuntival. Para olhos com irritação crónica, os colírios lubrificantes com ácido hialurónico são mais adequados.

Lavagem nasal: técnica e frequência ideais consoante as situações

A lavagem nasal é uma das medidas preventivas mais bem documentadas para a saúde das vias respiratórias superiores. Em caso de congestão nasal (constipação, rinite, sinusite), elimina mecanicamente as secreções, os alérgenos e os vírus. A técnica de Proetz (irrigação nasal com 5 a 10 ml por narina, utilizando uma pera de irrigação ou um frasco pressurizado) é mais eficaz do que os colírios para limpar os seios maxilares. Frequência recomendada: 2 a 4 vezes por dia na fase aguda, 1 vez por dia como tratamento de manutenção. A sua utilização diária não apresenta risco de dependência nem de atrofia da mucosa, ao contrário dos vasoconstritores nasais.

Soro fisiológico e cuidados com feridas e queimaduras ligeiras

Para a limpeza de feridas superficiais (arranhões, feridas pouco profundas, queimaduras de 1.º grau), o soro fisiológico é a solução recomendada pela HAS nas suas recomendações de 2023 sobre o tratamento de feridas. A sua lavagem isotónica elimina os contaminantes sem destruir as células reparadoras, ao contrário dos antissépticos clássicos (Betadine, Dakin) — agora desaconselhados nos primeiros socorros para feridas limpas. Para pequenas feridas do dia a dia, uma dose única de 5 ml para enxaguamento, seguida de um penso não oclusivo, constitui o protocolo de referência atual.

Utilização pediátrica: soro fisiológico e cuidados com o recém-nascido

O soro fisiológico é o produto de cuidados mais prescrito em pediatria desde os primeiros dias de vida. As suas três principais utilizações no lactente: a lavagem nasal (a partir do primeiro dia, indispensável para manter a permeabilidade nasal do recém-nascido com respiração obrigatória), a limpeza ocular das secreções neonatais e a higiene diária dos olhos. As doses únicas de 5 ml em plástico de origem vegetal (Physiodose Verde) são ideais para levar em viagem. Precaução: a pressão durante a lavagem nasal deve ser suave para evitar qualquer refluxo para o ouvido interno através da trompa de Eustáquio.

Frasco multidoses ou monodoses: como escolher corretamente?

As monodoses (5 a 10 ml) são estéreis à abertura e têm um prazo de validade de 24 horas — formato ideal para utilizações oftalmológicas (risco elevado de infeção) e cuidados com o recém-nascido. Garantem uma esterilidade absoluta, mas são mais dispendiosas. Os frascos multidoses (100 a 500 ml com sistema antirretorno) são económicos para lavagens nasais repetidas — o seu prazo de validade após a abertura é de 8 a 15 dias, dependendo do fabricante. Para quem usa lentes de contacto, as monodoses sem conservante são imprescindíveis: qualquer resíduo de conservante pode provocar ceratites de irritação.