O que é a gengivite e por que é reversível?
A gengivite é uma inflamação da gengiva marginal (tecido gengival livre que envolve os dentes) de origem bacteriana. É a fase inicial e reversível da doença periodontal: nesta fase, o osso alveolar e o ligamento periodontal ainda não estão afetados. Se tratada atempadamente, a gengivite cura-se completamente sem sequelas. Se não for tratada, evolui para a periodontite — destruição óssea irreversível e principal causa de perda dentária após os 40 anos. Qualquer gengivite persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde dentária. Estão disponíveis na loja produtos adequadospara a higiene oral e para a escovagem dentária.
- Mecanismo: a placa dentária (biofilme bacteriano formado em 24–48 horas nos dentes não escovados) liberta toxinas bacterianas → inflamação gengival (vasodilatação, edema, afluxo de neutrófilos) → sangramento durante a escovagem ou ao sondar → se a placa se calcificar (tártaro), o processo mantém-se e agrava-se
- Gengivite simples vs. gengivite modificada: gengivite simples (induzida pela placa) — a mais frequente — diretamente relacionada com um controlo insuficiente da placa — gengivite modificada — agravada por fatores sistémicos (hormonas, medicamentos, doenças), mesmo com uma higiene correta
- Sinais clínicos: gengivas de cor vermelho vivo (normalmente rosa-coral) — inchadas — sangrando ao menor contacto (sangramento das gengivas) — sensíveis à pressão — geralmente sem dor espontânea — possível mau hálito
- Diferença em relação à periodontite: na gengivite, não há bolsas periodontais profundas (> 3 mm), não há perda óssea visível na radiografia, não há mobilidade dentária — a gengiva recupera o seu aspeto normal alguns dias após a eliminação da placa bacteriana
Quais são as causas e os fatores agravantes?
- Placa dentária e tártaro: a placa que não é removida diariamente transforma-se num biofilme patogénico — calcifica-se, formando tártaro (mineralização em 10–15 dias) — o tártaro só pode ser removido pelo dentista ou pelo higienista (a escovagem já não é suficiente) — o tártaro subgengival é invisível a olho nu e mantém a inflamação
- Fatores hormonais: gravidez (gingivite gravídica — hiper-resposta inflamatória às bactérias devido aos estrogénios e à progesterona — afeta 35–70 % das mulheres grávidas — regressa após o parto) — puberdade (aumento da gengiva devido às alterações hormonais) — menopausa (a secura das mucosas e a xerostomia aumentam o risco)
- Medicamentos gingivotóxicos: imunossupressores (ciclosporina) — inibidores dos canais de cálcio (nifedipina, amlodipina) — antiepilépticos (fenitoína) — estes medicamentos provocam hiperplasia gengival (proliferação do tecido gengival) independente da placa bacteriana, mas agravada por esta
- Outros fatores: tabaco (mascara o sangramento por vasoconstrição, mas agrava a inflamação subjacente) — diabetes mal controlada — desnutrição (défice de vitamina C → escorbuto — gengivas hemorrágicas) — stress (imunossupressão local) — respiração pela boca (resseca e irrita a gengiva anterior)
Que tratamentos e remédios existem para tratar a gengivite?
- Remoção profissional de tártaro: procedimento de referência — o dentista ou o higienista remove a placa bacteriana e o tártaro supra e subgengivais — instrumentos ultrassónicos ou manuais — seguido de um polimento — imediatamente a seguir, as gengivas começam a desinchar — basta uma sessão para os casos ligeiros — uma reavaliação ao fim de 4–6 semanas permite confirmar a cura ou identificar uma evolução para a periodontite
- Clorhexidina em enxaguante bucal: 0,12–0,20 % durante 30 segundos, 2 vezes por dia — reduz a placa bacteriana em 50–60 % — antibacteriano de referência como adjuvante do tratamento — limitar a 2–4 semanas (risco de manchas castanhas nos dentes e disgeusia)
- Remédios naturais complementares: própolis em spray bucal (antibacteriano e anti-inflamatório — atividade comprovada sobre as bactérias gengivais) — gel de aloé vera para as gengivas (calmante e cicatrizante) — óleo de coco em «oil pulling» (10 min de bochecho — reduz a placa bacteriana por adsorção das bactérias lipofílicas) — estes remédios não substituem a raspagem dentária, mas podem apoiar a recuperação
- Nutrição e suplementação: vitamina C (cofator do colagénio gengival — uma carência fragiliza diretamente as gengivas) — vitamina D (imunomoduladora — associada a um risco reduzido de gengivite nos estudos) — coenzima Q10 (antioxidante mitocondrial com dados favoráveis na gengivite)
Como prevenir a gengivite de forma duradoura?
- Escovagem diária eficaz: técnica de Bass modificada (escova a 45° em direção ao sulco gengival, vibrações horizontais curtas) — pelo menos 2 vezes por dia — 2 minutos — escova de cerdas macias — escova elétrica oscilante-rotativa clinicamente superior à manual na redução da placa gengival
- Limpeza interdental obrigatória: 40 % das superfícies dentárias são inacessíveis à escova — fio dental ou escovinhas de tamanho adequado, uma vez por dia (à noite) — as escovinhas interdentais removem melhor a placa gengival do que o fio dental nos adultos — disponíveis na loja, tanto em fio dental como em escovinhas
- Consultas dentárias regulares: raspagem dentária 1 a 2 vezes por ano — avaliação periodontal completa em caso de sangramento persistente — as pessoas em risco (fumadores, diabéticos, mulheres grávidas) beneficiam de consultas mais frequentes (a cada 3–4 meses)
- Alimentação favorável à saúde gengival: vitamina C (kiwi, pimento, citrinos) — alimentos ricos em ómega-3 (peixes gordos), com propriedades anti-inflamatórias — limitar os açúcares e os hidratos de carbono fermentáveis (que alimentam as bactérias da placa bacteriana) — manter-se bem hidratado para garantir um fluxo salivar suficiente