Quais são os diferentes tipos de otite e como reconhecê-los?
A otite refere-se a uma inflamação do ouvido cujo tratamento varia consoante a zona afetada. Os produtos para os cuidados com os ouvidos e para o tratamento de doenças típicas do inverno estão disponíveis na loja. No que diz respeito à dor de ouvido em geral e às suas causas, a página sobre otalgia complementa este artigo.
- Otite externa: infeção do conduto auditivo externo — bacteriana (Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa) ou fúngica (Aspergillus, Candida) — principal fator desencadeante: maceração do conduto após o banho («orelha de nadador») — dor ao pressionar o trago (cartilagem à frente da orelha) ou ao puxar o pavilhão auricular — canal vermelho, edematoso, por vezes obstruído — tratamento local: gotas auriculares com antibióticos + corticosteroides mediante receita médica — não se administram antibióticos sistémicos, salvo em caso de extensão da infeção
- Otite média aguda (OMA): infeção do ouvido médio (por trás do tímpano) — muito frequente na criança (trompa de Eustáquio mais curta e horizontal — fácil subida de micróbios da rinofaringe) — frequentemente secundária a uma constipação ou a uma rinite — tímpano vermelho e protuberante, pus por trás — dor pulsátil, febre, hipoacusia — nas crianças: choro, esfregar a orelha, recusa em alimentar-se
- Otite média com efusão (OME): líquido no ouvido médio sem sinais de infeção aguda — «glue ear» — frequentemente assintomática, detetada durante um exame de hipoacusia — frequente após uma OMA não resolvida — pode requerer aeradores transtimpânicos (yoyos) se for persistente e afetar a audição
- Otite interna (labirintite): mais rara — inflamação do labirinto — vertigens intensas, náuseas, vómitos, hipoacusia ou surdez súbita — urgência otorrinolaringológica em caso de suspeita
Que tratamentos e cuidados para a otite?
A otite externa trata-se localmente — o calor suave (compressa morna sobre o pavilhão auricular) alivia a dor enquanto se aguarda o tratamento prescrito. No caso da otite média aguda, as recomendações francesas (SPILF/SFP) preconizam vigilância atenta com analgésicos durante 48 a 72 horas para crianças com mais de 2 anos que apresentem sintomas moderados — os antibióticos não são administrados sistematicamente e são reservados para casos graves, para crianças com menos de 2 anos ou para quem não apresente melhorias ao fim de 48 horas. A amoxicilina continua a ser o antibiótico de referência.
- Analgésicos de primeira linha: paracetamol (dose em função do peso na criança) — ibuprofeno em caso de inflamação acentuada — NUNCA se deve administrar aspirina a crianças com menos de 15 anos (síndrome de Reye) — a dor é aliviada rapidamente com um analgésico adequado, o que ajuda a diferenciar de causas mais graves
- Remédios naturais complementares: mel em chá quente com gengibre (anti-inflamatório sistémico leve) — eucalipto em inalação, se houver rinite ou rinofaringite associada (descongestiona a trompa de Eustáquio) — compressa morna sobre a orelha (o calor alivia a dor) — estes remédios complementam, mas não substituem a avaliação médica
- O que se deve evitar: cotons-tiges (empurram a cera, risco de traumatismo no tímpano) — gotas auriculares sem receita médica (algumas são contraindicadas em caso de perfuração do tímpano) — banhos durante uma otite ativa — mergulho em caso de otite
- Vacinação preventiva na infância: vacina antipneumocócica (Prevenar 13) — reduz significativamente a frequência das otites médias causadas pelo pneumococo — incluída no calendário vacinal a partir dos 2 meses
Como prevenir a otite e proteger a audição?
A prevenção da otite externa passa por uma higiene auricular correta: o canal auditivo é autolimpante — o cerume migra naturalmente para o exterior. Secar as orelhas após cada banho (inclinar a cabeça, abanar a orelha, nunca introduzir cotonetes) e utilizar tampões auriculares adequados na piscina reduzem significativamente o risco. No caso da otite média, tratar rapidamente as infeções respiratórias e evitar o tabagismo passivo nas crianças (irritante crónico da mucosa nasal e da trompa de Eustáquio) são as medidas preventivas mais eficazes.
- Impacto na audição: o derrame no ouvido médio provoca uma perda auditiva de transmissão temporária (20 a 40 dB) — geralmente reversível com tratamento — em caso de otites recorrentes ou crónicas, o risco de lesão do tímpano (perfuração, colesteatoma) ou de afetação dos ossículos aumenta — um atraso na linguagem numa criança com otites frequentes deve levar a uma avaliação audiométrica
- Quando consultar rapidamente: febre > 38,5 °C num lactente — dor intensa que não cede aos analgésicos — secreção purulenta do ouvido — perda auditiva súbita — vertigens — inchaço ou vermelhidão atrás da orelha (mastoidite — urgência) — paralisia facial
- Otite crónica: uma otite que persiste ou recidiva durante mais de 3 meses requer acompanhamento otorrinolaringológico — pode revelar um colesteatoma (lesão destrutiva do ouvido médio), uma perfuração timpânica persistente ou uma disfunção grave da trompa de Eustáquio que requeira tratamento cirúrgico