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Menstruação: da fertilidade à menopausa, tudo o que precisa de saber

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O que é a menstruação e como funciona o ciclo?

A menstruação corresponde ao sangramento mensal resultante da descamação da mucosa uterina (endométrio) na ausência de fecundação. O ciclo médio dura 28 dias, mas uma duração entre 21 e 35 dias continua a ser fisiologicamente normal. Divide-se em quatro fases: menstrual, folicular, ovulatória e lútea. Duas hormonas ovarianas orquestram este mecanismo: os estrogénios, que constroem o endométrio na primeira parte do ciclo, e a progesterona, que o prepara para acolher um embrião na segunda parte. A sua queda conjunta desencadeia a menstruação, caso não tenha ocorrido gravidez.

Que sintomas acompanham a menstruação?

Os sintomas variam consoante as pessoas e os ciclos, mas várias manifestações são frequentes:

  • Cólicas abdominais e dores pélvicas, por vezes irradiadas para as costas ou as coxas.
  • Inchaço e sensação de peso na parte inferior do abdómen.
  • Alterações de humor, irritabilidade, ansiedade ligeira ou tristeza.
  • Fadiga mais acentuada no início da menstruação, associada à perda de sangue e de ferro.
  • Alterações no apetite e, por vezes, dores de cabeça ou enxaquecas catameniais.

Sintomas muito intensos podem indicar uma dismenorreia grave ou uma patologia subjacente, como a endometriose, que justificam uma consulta médica.

Como lidar eficazmente com as dores menstruais?

Existem várias estratégias não medicamentosas que aliviam as cólicas:

  • Aplicação de calor (bolsa de água quente, adesivo térmico) na parte inferior do abdómen, o que relaxa a musculatura uterina.
  • Atividade física leve — caminhada, ioga — que liberta endorfinas analgésicas naturais.
  • Suplementação com magnésio, que reduz as contrações musculares e a retenção de líquidos.
  • Ingestão de ómega-3, com propriedades anti-inflamatórias comprovadas sobre as prostaglandinas envolvidas nas cólicas.

Em caso de dores intensas e persistentes, os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) continuam a ser o tratamento de referência, devendo ser tomados no início do sangramento, de acordo com as recomendações médicas.

As menstruações irregulares devem ser motivo de preocupação?

É normal que haja alguma variabilidade, nomeadamente após a interrupção de um método contraceptivo ou durante períodos de stress intenso. Por outro lado, ciclos regularmente inferiores a 21 dias ou superiores a 35 dias, ou a ausência de menstruação durante vários meses (amenorreia), justificam uma avaliação médica. Entre as causas frequentes:

  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP), frequentemente associada a hiperandrogenismo.
  • Desequilíbrio tireoidiano, seja hipotiroidismo ou hipertiroidismo.
  • Stress crónico ou perda de peso rápida, que perturbam o eixo hipotálamo-hipofisário.
  • Distúrbios da ovulação de outras origens, nomeadamente hiperprolactinemia.

Uma análise hormonal (FSH, LH, prolactina, TSH, AMH) e uma ecografia pélvica permitem, geralmente, identificar a causa e adaptar o tratamento. Não espere mais do que três ciclos anormais consecutivos antes de consultar um médico.

Qual é a relação entre o ciclo menstrual e a fertilidade?

A ovulação, que ocorre geralmente por volta do 14.º dia de um ciclo de 28 dias, constitui a janela de máxima fertilidade. Vários sinais permitem identificá-la: alterações no muco cervical (mais elástico e transparente), ligeiro aumento da temperatura basal e, por vezes, dor lateral (mittelschmerz). Os contraceptivos hormonais atuam precisamente suprimindo ou bloqueando a ovulação, o que pode alterar o perfil da menstruação, tornando-a mais leve, menos dolorosa ou mesmo ausente.

De que forma a menopausa altera o ciclo menstrual?

A menopausa marca o fim definitivo das menstruações, confirmado após 12 meses consecutivos sem menstruação. A perimenopausa que a precede pode durar vários anos, com ciclos irregulares, fluxos variáveis e sintomas climatéricos (ondas de calor, distúrbios do sono). A alimentação desempenha um papel de apoio ao longo de toda a vida menstrual: um aporte suficiente de ferro compensa as perdas de sangue, enquanto os alimentos ricos em antioxidantes e ácidos gordos essenciais limitam a inflamação subjacente que agrava as cólicas. Na menopausa, a ênfase passa a recair sobre o cálcio e a vitamina D para preservar a densidade óssea, bem como sobre os fitoestrogénios provenientes das leguminosas para atenuar os sintomas da menopausa, sempre sob acompanhamento médico.