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Compreender a falta de apetite: causas, suplementos e soluções por perfil

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O que é a falta de apetite e em que difere da anorexia?

A falta de apetite refere-se à ausência ou à redução significativa do desejo de comer, sem que haja necessariamente uma repulsa ativa em relação aos alimentos. Diferencia-se da anorexia mental (perturbação do comportamento alimentar com distorção da imagem corporal) e da simples falta de apetite, na medida em que pode ser mais subtil — uma indiferença em relação à comida, em vez de um repulsa ativa. Manifesta-se através de três dimensões:

  • A fome fisiológica (grelina, sinais hipotalâmicos): ausente ou diminuída.
  • O prazer antecipado (dopamina): reduzido — a comida já não atrai.
  • A motivação para preparar e consumir uma refeição: em colapso, nomeadamente em pessoas idosas, com depressão ou em convalescença.

Uma falta de apetite persistente durante mais de duas semanas ou acompanhada de uma perda de peso indesejada requer uma consulta médica.

Que causas iatrogénicas provocam a falta de apetite?

Muitos medicamentos comuns provocam a falta de apetite como efeito secundário:

  • Antibióticos (amoxicilina-ácido clavulânico, metronidazol): alteram a flora intestinal e provocam náuseas e aversão alimentar temporária.
  • Inibidores da bomba de protões (IBP): reduzem a acidez gástrica necessária à absorção do zinco e do magnésio — enfraquecendo o apetite a longo prazo.
  • Quimioterapia: os agentes alquilantes alteram as células gustativas e olfativas, induzindo ageusia e anosmia temporárias.
  • Opiáceos e morfinicos: retardam o esvaziamento gástrico e provocam obstipação, o que agrava a falta de apetite.
  • Metformina: provoca náuseas e falta de apetite em 20 a 30 % dos doentes, sobretudo no início do tratamento.

A falta de apetite na criança: causas e abordagem nutricional

A falta de apetite é frequente em crianças pequenas (dos 2 aos 6 anos) e, muitas vezes, benigna (neofobia alimentar). As causas patológicas a excluir:

  • Carência de zinco: a principal causa nutricional de falta de apetite e de abrandamento do crescimento na criança. Altera o paladar e reduz os sinais de fome hipotalâmicos.
  • Anemia por deficiência de ferro: uma carência de ferro reduz a vitalidade e o apetite, afetando 20 a 25 % das crianças dos 6 meses aos 3 anos nos países desenvolvidos.
  • Infecções recorrentes: as gastroenterites e as infeções otorrinolaringológicas alteram o apetite devido à inflamação sistémica e à perturbação da microbiota.

Os probióticos (Lactobacillus rhamnosus GG, Bifidobacterium lactis) reduzem a frequência das infeções digestivas nas crianças, contribuindo indiretamente para um apetite regular.

Falta de apetite durante a gravidez: náuseas e primeiros trimestres

A falta de apetite no primeiro trimestre afeta 70 a 80 % das mulheres grávidas, estando associada ao aumento dos níveis de beta-hCG e de estrogénios. A vitamina B9 (ácido fólico, 400 µg/dia) é fundamental durante este período para prevenir anomalias do tubo neural — a falta de apetite pode comprometer estes aportes e justifica uma suplementação sistemática. O gengibre (gingeróis, shogaóis — 250 a 500 mg de extrato padronizado) é o antiemético natural mais bem documentado durante a gravidez e pode melhorar o apetite ao reduzir as náuseas, sem riscos documentados nas doses terapêuticas.

O magnésio e a vitamina B1 contra a falta de apetite associada ao stress

Duas carências frequentes em contextos de sobreesforço:

  • O magnésio: o cortisol aumenta as perdas urinárias de magnésio. A sua carência provoca náuseas, perda de apetite e fadiga, que se alimentam mutuamente. A suplementação com bisglicinato ou malato (300 a 400 mg/dia) melhora frequentemente o apetite em 2 a 4 semanas.
  • A vitamina B1 (tiamina): cofator do metabolismo energético do cérebro e do intestino. A sua carência provoca anorexia grave — a suplementação melhora rapidamente o apetite nas pessoas com carência.

Como é que a genciana e o apoio digestivo ajudam a combater a falta de apetite?

A genciana (Gentiana lutea) estimula os recetores TAS2R do sabor amargo na mucosa gástrica, desencadeando por reflexo a secreção de sucos digestivos (HCl, pepsina, bílis) e criando uma «fome mecânica». Tomada 15 a 30 minutos antes das refeições (tintura-mãe de 10 a 30 gotas ou extrato seco de 300 a 500 mg), é a planta orexigénica de referência na fitoterapia europeia. Contraindicada em caso de úlcera gastroduodenal ativa. O apoio à digestão proporcionado pela alcachofra e pelo cardo-mariano complementa a ação da genciana, favorecendo a secreção biliar e reduzindo a sensação de peso pós-prandial que desmotiva a alimentação.