O que são os fanérios?
O termo «fanérias» designa as estruturas queratinizadas originárias da epiderme: no ser humano, principalmente o cabelo, os pêlos e as unhas. São constituídas essencialmente por queratina, uma proteína fibrosa, e desempenham várias funções fisiológicas (proteção mecânica, sensibilidade sensorial, contribuição para a termorregulação). Embora de aspeto modesto, as fanérias revelam frequentemente o estado geral de saúde: a sua qualidade pode refletir equilíbrios nutricionais, hormonais ou cutâneos subjacentes.
Como se desenvolvem as faneras?
O desenvolvimento das faneras começa logo na fase embrionária. A queratinização é um processo contínuo: no folículo piloso, no caso dos pêlos e cabelos, e na matriz ungueal, no caso das unhas, as células proliferam, acumulam queratina e, em seguida, migram para a superfície, onde perdem os seus organitos e endurecem. A parte visível do cabelo, do pêlo ou da unha é, portanto, constituída por células mortas: o que acontece a montante, ao nível do folículo ou da matriz, condiciona a qualidade do que sai. É por isso que um couro cabeludo saudável, uma matriz ungueal preservada e uma alimentação equilibrada são fatores determinantes para a qualidade dos fanérios.
Quais são as principais funções dos fanérios?
Coexistem várias funções:
- Proteção: o cabelo protege parcialmente o couro cabeludo dos raios UV e dos impactos; as unhas protegem as pontas dos dedos das mãos e dos pés; os pêlos corporais contribuem para uma proteção mecânica moderada.
- Sensorialidade: os folículos capilares são ricamente inervados e contribuem para a perceção de vibrações e do tato fino.
- Contribuição para a termorregulação: limitada nos seres humanos, mais acentuada noutras espécies.
- Função social e estética: a qualidade do cabelo, das sobrancelhas, das pestanas e das unhas contribui para a perceção de si próprio e para a ligação com os outros.
Como cuidar das fanérias para preservar a sua saúde?
Os cuidados baseiam-se em alguns princípios:
- Higiene adequada: limpeza com produtos suaves e com pH neutro, ajustando a frequência ao tipo de couro cabeludo e de pele. Ver também higiene corporal.
- Alimentação variada e equilibrada, rica em proteínas, ferro, zinco, vitaminas do grupo B, A, D e ómega-3.
- Hidratação regular ao longo do dia.
- Proteção mecânica e ambiental: calor excessivo (secador de cabelo a alta temperatura, alisador), exposição solar prolongada, contacto repetido com água e detergentes para as unhas (recomenda-se o uso de luvas).
- Sono de qualidade e gestão do stress crónico.
- Manicura e cuidados com as unhas que preservem a zona ao redor (não cortar as cutículas, não roer as unhas); ver manicura.
Que problemas comuns afetam as faneras?
Podem surgir vários distúrbios:
- Queda de cabelo: alopecia androgenética (a mais frequente), eflúvio telógeno pós-evento (parto, infeção, stress, dieta restritiva), alopecia areata autoimune, carências (nomeadamente de ferro).
- Cabelo quebradiço, seco e sem brilho: tratamentos químicos repetidos (coloração, alisamento, descamação), exposição ao calor, carências nutricionais, pele seca.
- Unhas rachadas, quebradiças, deformadas: contacto com água e detergentes, microtraumatismos, carências, por vezes patologias (psoríase ungueal, distiroidismo).
- Onicomicose (infecção fúngica da unha): suspeita em caso de espessamento, fragilidade ou alteração da cor. Diagnóstico por biópsia micológica; tratamento antifúngico mediante receita médica.
- Dermatites do couro cabeludo (dermatite seborreica, psoríase, eczema) que podem afetar a qualidade do cabelo.
Um aparecimento invulgar ou uma evolução rápida deve levar à consulta de um médico ou de um dermatologista.
Que nutrientes são essenciais para a saúde dos anexos cutâneos?
Vários nutrientes contribuem para a qualidade das faneras. Uma alimentação variada cobre as necessidades na maioria dos casos; a suplementação só se justifica em caso de carência comprovada ou de necessidade específica, após consulta médica.
- Proteínas: os blocos de construção fundamentais da queratina.
- Vitamina A: contribui para a renovação dos tecidos epiteliais. Deve evitar-se a suplementação não supervisionada (possível toxicidade em doses elevadas, contraindicações em caso de gravidez para os retinóides médicos).
- Vitaminas do grupo B: a biotina (B8 ou H) e a niacina (B3) são frequentemente mencionadas; o efeito da suplementação é sobretudo comprovado em caso de carência comprovada. A biotina pode interferir com certas análises biológicas (nomeadamente o TSH): deve ser assinalado caso seja tomada.
- Ferro: a carência de ferro é frequente nas mulheres em idade fértil, afeta a qualidade capilar e favorece a queda de cabelo telógena. Deve ser realizado um perfil biológico (ferritina, hemograma completo) antes da suplementação.
- Zinco: envolvido na trofia do cabelo e das unhas.
- Ómega-3: contribui para a qualidade do filme hidrolipídico do couro cabeludo e da pele.
- Vitamina D: a deficiência é frequente em França, devendo ser avaliada com o médico consoante o contexto.
Quais são as opções em caso de queda de cabelo?
O tratamento da queda de cabelo depende da causa identificada pelo médico ou pelo dermatologista:
- Avaliação: entrevista (antecedentes, tratamentos, acontecimentos recentes, alimentação), exame do couro cabeludo, análises clínicas de acordo com a orientação (ferritina, hemograma completo, TSH, vitamina D, por vezes análise hormonal).
- Cuidados locais não medicamentosos: suplementos alimentares sob orientação, champôs adequados, massagens suaves no couro cabeludo.
- Medicamentos: o minoxidil tópico é utilizado na alopecia androgenética em homens e mulheres; está disponível nas farmácias com aconselhamento farmacêutico consoante a apresentação do produto e requer uma utilização regular e prolongada para se observar um efeito. A finasterida é um medicamento oral, sujeito a receita médica, indicado nos homens em certas formas de alopecia androgenética. É contraindicada em mulheres em idade fértil (teratogénica) e requer acompanhamento médico devido a possíveis efeitos indesejáveis.
- Abordagens complementares não medicamentosas: óleos essenciais por vezes referidos (alecrim cineol, lavanda verdadeira) em massagem do couro cabeludo, a utilizar diluídos e com as precauções habituais (gravidez, amamentação, crianças <7 anos, epilepsia, asma, pele lesionada, sensibilização). O nível de evidência clínica continua a ser limitado.
- Enxerto capilar: intervenção cirúrgica em indicações específicas, a ser realizada por um cirurgião especializado após parecer dermatológico. Desconfie de ofertas comerciais não supervisionadas (no estrangeiro ou em França) sem avaliação prévia.
- PRP capilar (plasma rico em plaquetas): injeções no couro cabeludo, nível de evidência heterogéneo, procedimento médico especializado.
Nenhuma opção deve ser auto-prescrita. Um parecer médico permite identificar a causa e orientar o tratamento mais adequado.
Qual é a diferença entre o cabelo da cabeça e os pêlos do corpo?
Embora sejam ambos fanérios, o cabelo e os pêlos corporais diferem:
- Estrutura: o cabelo é geralmente mais comprido, mais espesso e localiza-se no couro cabeludo; os pêlos corporais são mais curtos e mais finos, exceto no caso da pilosidade androgénica (rosto, tórax, púbis).
- Ciclo de vida: o ciclo anagénico (fase de crescimento) dura entre 2 e 7 anos para o cabelo e apenas algumas semanas a alguns meses para os pêlos corporais, o que limita o seu comprimento.
- Distribuição: as sobrancelhas e as pestanas têm ciclos ainda mais curtos (3 a 4 meses para as pestanas).
- Influência hormonal: a pilosidade corporal depende mais dos androgénios do que o cabelo (por outro lado, a alopecia androgenética é, por sua vez, sensível aos androgénios ao nível do couro cabeludo).
Os órgãos cutâneos podem ser afetados pelo stress?
Sim, o stress pode influenciar a qualidade e o ciclo das fanérias:
- Eflúvio telógeno: queda de cabelo difusa e transitória, cerca de 2 a 4 meses após um evento desencadeador (stress intenso, febre elevada, parto, intervenção cirúrgica, perda rápida de peso, infeção).
- Alopecia areata: doença autoimune cujos surtos podem ser favorecidos pelo stress.
- Onychofagia, tricotilomania: distúrbios comportamentais associados à ansiedade, que afetam a qualidade das unhas e do cabelo.
- Rugas ungueais transversais (sulcos de Beau): podem surgir na sequência de um episódio de stress físico ou médico acentuado.
A gestão do stress (atividade física, sono, respiração, sofrologia, meditação, acompanhamento psicológico, se necessário) contribui para a qualidade global dos fanérios. Em caso de queda de cabelo significativa e persistente, ou de alterações invulgares nas unhas, é aconselhável consultar um médico.