O que é a vitamina B9 (folato) e em que difere do ácido fólico?
A vitamina B9 designa a família dos folatos — coenzimas hidrossolúveis indispensáveis para a síntese do ADN, a metilação celular e a formação dos glóbulos vermelhos. Os folatos naturais (alimentares) e o ácido fólico (sintético) seguem vias metabólicas diferentes. Encontre as nossas vitaminas B na farmácia para descobrir as formas de vitamina B9 mais adequadas ao seu perfil genético.
- Folatos naturais (alimentares): poliglutamatos → hidrolisados em monoglutamatos no intestino delgado → absorvidos → convertidos em 5-metiltetrahidrofolato (5-MTHF) na mucosa intestinal → forma ativa circulante no plasma
- Ácido fólico (sintético): forma oxidada estável — requer duas reduções enzimáticas sucessivas (DHFR → THF → 5-MTHF) antes de se tornar biologicamente ativo — metabolismo parcialmente saturável em doses elevadas → possível acumulação de ácido fólico não metabolizado (UMFA) no sangue
- 5-MTHF (metilfolato, L-metilfolato): forma bioativa direta — não requer conversão enzimática — disponível em suplementos (Metafolin®, Quatrefolic®) — indicado em caso de polimorfismo do MTHFR ou má conversão do ácido fólico
- Polimorfismo MTHFR: variante C677T (presente em 10–15 % das populações caucasianas na forma homozigótica) → enzima MTHFR (metilenotetrahidrofolato redutase) com atividade reduzida em 30–70 % → conversão do folato em 5-MTHF reduzida → aumento da homocisteína → risco cardiovascular e neurológico acrescido — solução: suplementação direta com 5-MTHF em vez de ácido fólico
- Ciclo dos folatos e metilação: o 5-MTHF cede o seu grupo metilo à vitamina B12 (cobalamina) → produção de metionina → S-adenosilmetionina (SAM) = principal doador de metilo do organismo (metilação do ADN, dos neurotransmissores, dos fosfolípidos) — a vitamina B9 e a vitamina B6 atuam em sinergia neste ciclo
Funções essenciais e carência de vitamina B9
- Síntese do ADN e do ARN: o tetrahidrofolato (THF) é indispensável para a biossíntese das purinas e das pirimidinas (timidilato sintase) — qualquer célula com divisão rápida (medula óssea, epitélio intestinal, feto) é particularmente sensível à carência
- Anemia megaloblástica: deficiência de vitamina B9 → bloqueio da síntese de ADN nos eritroblastos → macrócitos gigantes não funcionais → anemia macrocítica — a distinguir da anemia por deficiência de vitamina B12 (mesmo quadro clínico) — análise completa: folatos eritrocitários + vitamina B12 + hemograma
- Homocisteína: o 5-MTHF é indispensável para a remetilação da homocisteína em metionina — carência de B9 → hiper-homocisteinemia → risco cardiovascular (tromboses, aterosclerose) + neurológico (demência, depressão) — associar vitamina B9 + vitamina B12 + vitamina B6 para reduzir eficazmente a homocisteína
- Saúde mental: os folatos são necessários para a síntese das monoaminas (dopamina, serotonina, noradrenalina) através do ciclo de metilação — carência → depressão + perturbações cognitivas + fadiga mental — estudos clínicos: a suplementação com B9 melhora a eficácia dos antidepressivos no tratamento adjuvante
- Desenvolvimento neuronal e mielinização: indispensável para a neurogénese e a mielinização fetal — carência pré-concepcional = principal fator de espinha bífida + anencefalia + outras anomalias do tubo neural
Fontes alimentares e necessidades de acordo com os perfis
- Alimentos mais ricos em folatos: fígado de vitela (261 µg/100 g) — espinafres crus (194 µg/100 g) — espargos (149 µg/100 g) — lentilhas cozidas (181 µg/100 g) — grão-de-bico (172 µg/100 g) — levedura de cerveja (1 000 µg/100 g) — abacates (81 µg/100 g)
- Perdas durante a cozedura: os folatos naturais são termolábeis — cozedura em água → perda de 50–80 % — dar preferência ao cozimento a vapor, ao consumo cru ou a uma cozedura rápida — os folatos também são fotossensíveis (conservar os legumes ao abrigo da luz)
- IDR de vitamina B9: adultos 330 µg/dia equivalentes a folatos alimentares (EFA) — mulheres grávidas 600 µg/dia — mulheres a amamentar 500 µg/dia — crianças 160–300 µg/dia, dependendo da idade — limite superior tolerável (ácido fólico sintético): 1 000 µg/dia (risco de mascarar uma carência de vitamina B12)
- Populações em risco: mulheres em idade fértil (necessidades pré-concepcionais) — alcoólicos crónicos (a vitamina B9 é a mais afetada pelo álcool — competição intestinal + excreção renal aumentada) — veganos sem diversificação alimentar — pessoas em tratamento com metotrexato (antagonista do folato) ou antiepilépticos (fenitoína, carbamazepina) — homozigotos C677T para o gene MTHFR
- Diagnóstico: folatos plasmáticos (< 3 µg/L = carência) + folatos eritrocitários (reflexo das reservas, < 140 µg/L = carência) + homocisteína plasmática (> 15 µmol/L = carência funcional ou polimorfismo do MTHFR)
Suplementação, interações medicamentosas e precauções
- Formas de suplementação: ácido fólico padrão (400–800 µg/dia, suficiente para a maioria) — 5-MTHF (L-metilfolato, 400–800 µg/dia, indicado para MTHFR positivo e indivíduos com má resposta ao ácido fólico) — metilfolato Quatrefolic® ou Metafolin® (formas patenteadas de 5-MTHF, diretamente bioativas)
- Metotrexato: antagonista da DHFR → bloqueia a conversão de folato → THF → acumulação de folatos inativos → efeitos tóxicos (mucite, citopenias) — suplementação sistemática com ácido fólico no dia 2 de cada injeção de MTX (não no próprio dia da injeção) para limitar os efeitos secundários sem reduzir a eficácia
- Antiepilépticos (fenitoína, carbamazepina, valproato, fenobarbital): induzem enzimas hepáticas → aceleram o catabolismo dos folatos → carência durante o tratamento crónico — suplementação recomendada sob controlo médico — risco teórico de interação no controlo das crises epilépticas (monitorizar)
- Vitaminas B12 e B9: nunca administrar suplementos apenas de B9 sem determinar os níveis de B12 — o ácido fólico em doses elevadas pode corrigir a anemia megaloblástica causada pela carência de B12, mascarando a carência — mas a neuropatia resultante da carência de B12 continua a progredir → avaliação completa antes da suplementação
- Excesso de ácido fólico (UMFA): doses > 1 000 µg/dia de ácido fólico sintético → ácido fólico não metabolizado (UMFA) em circulação → dados emergentes sobre imunomodulação + hipótese de interação com o metabolismo da vitamina B12 em idosos — dar preferência ao 5-MTHF em doses elevadas em pessoas com mais de 65 anos