O sena (Senna alexandrina), também conhecido como sena de Alexandria ou sena indiano, é uma planta da família das Fabáceas, originária do Norte de África e da Ásia. Utilizada desde a Antiguidade, é conhecida pela sua potente ação laxante no sistema digestivo. Esta eficácia deve-se à sua elevada concentração em sennosídeos, compostos ativos que estimulam as contrações dos músculos intestinais. É isso que classifica o sena entre os laxantes ditos «estimulantes». Um ponto essencial a compreender desde o início: o sena é um laxante potente para uso estritamente ocasional e não um remédio para o conforto digestivo no dia a dia. A sua utilização deve ser limitada no tempo e supervisionada. Para um trânsito intestinal lento e regular, devem ser privilegiadas, em primeiro lugar, abordagens mais suaves (fibras, hidratação, atividade física) e uma alimentação variada.
O sena é utilizado principalmente para aliviar a obstipação ocasional:
A sua utilização deve ser pontual e destinar-se à obstipação ocasional, não a um distúrbio crónico do trânsito intestinal, o qual requer aconselhamento médico para identificar a causa.
O sena existe em várias formas, sempre em curtas curas. Em infusão: deixar em infusão cerca de 1 colher de chá de folhas secas em 250 ml de água quente durante 10 minutos; beber à noite, à hora de deitar (efeito em 6 a 12 horas). Em cápsulas ou comprimidos: práticos para uma dosagem precisa, em curas de 3 a 5 dias, no máximo. Em extrato líquido: para diluir, para uma ação concentrada. Seja qual for a forma, há várias regras a respeitar: começar pela dose mais baixa e ajustá-la de acordo com a tolerância, nunca ultrapassar 7 dias consecutivos e manter-se bem hidratado durante a utilização. Respeitar rigorosamente a posologia indicada no produto. Em caso de dúvida, ou se a obstipação persistir apesar da toma, consulte um médico ou um farmacêutico em vez de prolongar ou aumentar as doses, o que poderia expor a efeitos indesejáveis e a um risco de dependência.
É essencial ser claro neste ponto: o sena não faz emagrecer e nunca deve ser utilizado como produto de emagrecimento. Esta utilização, infelizmente comum, é perigosa. O sena elimina apenas resíduos alimentares e água, provocando, no máximo, uma perda de peso temporária relacionada com a desidratação, que é imediatamente recuperada. Não queima qualquer gordura. Pior ainda, a utilização indevida para fins de emagrecimento expõe a graves consequências: desequilíbrio eletrolítico (nomeadamente perda de potássio), desidratação, distúrbios cardíacos, dependência intestinal e carências nutricionais. Da mesma forma, as alegações de «desintoxicação» são infundadas: o organismo dispõe dos seus próprios órgãos de eliminação (fígado, rins), e o sena não os «purifica». Para uma abordagem de gestão do peso, o que realmente importa é uma alimentação equilibrada e a atividade física. Utilizar um laxante potente para este fim não só é ineficaz como também potencialmente perigoso para a saúde.
O sena e a bourdaine (Frangula alnus) são dois laxantes estimulantes de origem vegetal, mas com perfis diferentes. O sena é um laxante potente de ação rápida, que pode irritar as mucosas intestinais em caso de uso prolongado. A bourdaine é tradicionalmente considerada um pouco mais suave e gradual. Na prática, ambos requerem as mesmas precauções: são laxantes estimulantes destinados apenas a uso ocasional, nunca a longo prazo, pois ambos expõem ao mesmo risco de dependência e de «preguiça» intestinal em caso de uso repetido. No caso de um trânsito intestinal irregular ou crónico, nenhum laxante estimulante é a solução: é preferível dar prioridade aos laxantes de volume (fibras, mucilagens), a uma boa hidratação e a um estilo de vida saudável, bem como a um parecer médico para compreender a causa do distúrbio. A escolha entre estas plantas não deve fazer esquecer o essencial: estes dois laxantes estimulantes destinam-se apenas a situações pontuais.
O sena, apesar da sua eficácia, exige precauções reais. Contra-indicações:
No que diz respeito aos efeitos indesejáveis: cólicas e irritações intestinais em caso de sobredosagem, desidratação e perda de potássio (podendo causar fadiga muscular e distúrbios cardíacos) e, sobretudo, dependência em caso de uso prolongado, uma vez que o intestino se torna dependente do sena para funcionar. Nunca exceda 7 dias, comece com uma dose baixa e hidrate-se bem. Em caso de obstipação persistente, dores ou sangue nas fezes, consulte um médico sem recorrer à automedicação prolongada.