O que é o sarampo e por que razão continua a ser perigoso?
O sarampo é uma infeção viral aguda altamente contagiosa causada pelo vírus do sarampo (Morbillivirus, família Paramyxoviridae). Doença de notificação obrigatória (MDO) em França, causou a morte de 100 000 crianças em todo o mundo em 2023 (OMS), apesar da existência de uma vacina eficaz desde 1963. A taxa de contagiosidade (R₀ = 12–18) é uma das mais elevadas de todas as doenças infecciosas — uma única pessoa infetada pode contagiar 12 a 18 pessoas não imunizadas. Qualquer erupção febril suspeita numa criança não vacinada = consulta médica urgente. Descubra a nossa gama de produtos para a imunidade e a nossa gama para o sistema respiratório, para um apoio natural durante a convalescença.
- Transmissão: transmissão aérea por aerossóis e gotículas — uma das mais eficazes conhecidas (o vírus sobrevive 2 horas no ar de uma divisão fechada após a saída da pessoa infetada) — contacto com superfícies contaminadas + levar as mãos ao rosto — contagiosidade máxima 4 dias antes da erupção cutânea até 4 dias depois — as pessoas contagiosas muitas vezes ainda não sabem que estão infetadas
- Fases clínicas: incubação de 10 a 14 dias (assintomática) — fase prodrómica de 3 a 5 dias — febre elevada (40–41 °C) + tosse + rinorreia + conjuntivite («3C») — manchas de Koplik (pequenas manchas brancas sobre fundo vermelho no interior das bochechas, ao nível dos molares — patognomónicas do sarampo) — fase de erupção do 14.º ao 17.º dia — erupção maculopapular descendente (rosto → tronco → membros) — febre persistente ≥ 39 °C durante a erupção
- Manchas de Koplik: sinal patognomónico — surgem 1–2 dias antes da erupção cutânea — permitem um diagnóstico precoce — desaparecem 1–2 dias após o início da erupção
- Diagnóstico: clínico (quadro típico + contexto epidémico) — confirmação biológica: IgM específicas para o sarampo (serologia) ou RT-PCR nasofaríngea ou urinária — notificação obrigatória à ARS no prazo de 24 horas após a suspeita diagnóstica
- Populações com risco acrescido de complicações: bebés < 1 ano (ainda não vacinados) — crianças malnutridas (deficiência de vitamina A) — adultos não imunizados (formas mais graves) — mulheres grávidas — pessoas imunodeprimidas
Complicações e sinais de alarme
- Pneumonia por sarampo: complicação mais frequente e principal causa de morte (1 em cada 20 casos nos países em desenvolvimento) — pneumonia viral (vírus do sarampo) ou bacteriana secundária (Staphylococcus aureus, pneumococo) — febre persistente + agravamento da tosse + dispneia → consulta urgente
- Encefalite aguda pós-sarampo: 1 em cada 1 000 casos — surge 1–2 semanas após a erupção cutânea — cefaleias + febre + convulsões + alterações do estado de consciência — mortalidade de 15 % + sequelas neurológicas em 25 % dos sobreviventes
- Panencefalite esclerosante subaguda (PESS): complicação rara, mas sempre fatal (1–4 em cada 100 000 casos) — surge 5–10 anos após a infeção (sobretudo se o sarampo tiver ocorrido antes dos 2 anos) — degeneração cerebral progressiva — não há tratamento eficaz — prevenção = vacinação antes dos 12 meses
- Otite média aguda: complicação mais frequente na infância (1 em cada 10 casos) — febre + otalgia após a erupção cutânea — risco de surdez se for recorrente ou mal tratada
- Ceratoconjuntivite e cegueira: complicação grave, sobretudo em caso de carência de vitamina A (frequente nos países em desenvolvimento) — suplementação com vitamina A recomendada pela OMS para todas as crianças com sarampo em zonas de risco
Vacinação ROR, medidas a tomar e gestão da exposição
- Vacina ROR (sarampo-papera-rubéola): vacina viva atenuada — eficácia > 97 % após 2 doses contra o sarampo — calendário vacinal francês: 1.ª dose aos 12 meses, 2.ª dose aos 16–18 meses — vacinação obrigatória em França desde 2018 para crianças nascidas após 1 de janeiro de 2018 — dose de reforço recomendada para adultos nascidos entre 1980 e 1989 com < 2 doses e para profissionais de saúde — imunidade vitalícia após 2 doses
- Limiar de imunidade coletiva: é necessária uma cobertura vacinal de 95 % (devido ao elevado R₀) — a diminuição da cobertura vacinal = risco de epidemia — epidemias recentes em França (2018–2019) associadas a zonas com baixa cobertura vacinal
- Medidas a tomar em caso de exposição: contactar o médico logo que se suspeite de contacto — vacinação pós-exposição possível se administrada no prazo de 72 horas (eficácia > 90 % se o esquema não estiver completo) — imunoglobulinas (Ig polivalentes) no prazo de 6 dias para indivíduos de risco (bebés < 6 meses, imunodeprimidos, mulheres grávidas não imunizadas) — isolamento rigoroso do caso até ao 4.º dia após a erupção cutânea
- Mulheres grávidas: sarampo grave na mãe (pneumonia, hepatite) + risco de aborto espontâneo, parto prematuro e morte fetal — vacina ROR contraindicada durante a gravidez (vacina viva) → verificar a imunidade antes de qualquer gravidez + vacinação, se necessário, antes da conceção — se houver exposição durante a gravidez → imunoglobulinas de emergência
- Isolamento: permanecer em casa desde o 4.º dia antes da erupção cutânea até ao 4.º dia após a erupção — afastamento obrigatório da escola — notificação à ARS para inquérito epidemiológico em torno do caso
Cuidados sintomáticos e apoio natural durante a convalescença
- Tratamento sintomático: sem tratamento antiviral específico — paracetamol 15 mg/kg/dose em crianças ou 500–1 000 mg em adultos para a febre e as dores — nunca utilizar aspirina em crianças com infeção viral (risco de síndrome de Reye) — humidificador de ar (alivia a tosse e as mucosas irritadas) — colírios fisiológicos para a conjuntivite
- Hidratação essencial: a febre elevada + as perdas mucosas aumentam as necessidades hídricas — 2–3 L/dia em adultos — alimentação leve e suave em caso de lesões bucais — evitar alimentos ácidos em caso de manchas de Koplik dolorosas
- Vitamina A: recomendada pela OMS para todas as crianças com sarampo em zonas com prevalência de carência (África, Ásia) — reduz a mortalidade e as complicações oculares em 50% — 2 doses: 200 000 UI no dia 1 e no dia 2 (50 000 UI se < 6 meses, 100 000 UI se 6–12 meses) — a discutir com o médico em França em caso de desnutrição ou carência comprovada
- Apoio imunológico durante a convalescença: o sarampo provoca uma imunossupressão prolongada (2–3 anos — «amnésia imunitária») — vitamina C + vitamina D3 + zinco durante a convalescença — consulte a nossa página sobre defesas imunitárias — doenças a comparar com a papeira e a varicela no âmbito do calendário vacinal ROR
- Sinais de alarme que exigem consulta urgente: febre > 39 °C persistente por mais de 5 dias — agravamento da tosse + dispneia (pneumonia) — cefaleias intensas + convulsões + alterações do estado de consciência (encefalite → ligue para o 15) — dor de ouvidos (otite) — lesão ocular (ceratite) — qualquer bebé com menos de 6 meses com erupção febril