O que é o refluxo gastroesofágico (RGE) e como surge?
O refluxo gastroesofágico (RGE) é a subida crónica de ácido gástrico para o esófago, devido a uma disfunção do esfíncter esofágico inferior (EEI). Trata-se de uma patologia estrutural — a distinguir dos episódios pontuais de acidez — que, se não for tratada, pode evoluir para lesões irreversíveis. A nossa gama de medicamentos e suplementos para a digestão oferece soluções naturais e médicas adaptadas a cada fase.
- Mecanismo: o SIE (tónus normal de 15–30 mmHg) relaxa de forma inadequada ou apresenta uma hipotonia permanente — refluxo de conteúdo ácido (pH 1–2) para o esófago — mucosa esofágica sem proteção mucosa, ao contrário do estômago
- Hérnia hiatal: subida da junção esofágico-gástrica para o tórax — favorece a insuficiência do SOI — presente em 70 % dos casos de DRGE grave
- Principais fatores de risco: excesso de peso/obesidade (1.º fator modificável), gravidez (3.º trimestre), tabagismo (a nicotina relaxa o SOI), álcool, dieta rica em gorduras saturadas, café > 3 chávenas/dia, sedentarismo
- Sintomas atípicos não digestivos: tosse crónica noturna (microinalação de ácido), rouquidão matinal, laringite ácida, agravamento da asma, erosão dentária (desmineralização por ácido) — frequentemente não associados à DRGE pelo doente
- Complicações graves não tratadas: esofagite erosiva → estenose esofágica (disfagia progressiva) → endobraquiesofágico/mucosa de Barrett (pré-canceroso) → adenocarcinoma — fibroscopia indispensável se os sintomas durarem mais de 5 anos ou forem atípicos
Diagnóstico do RGO: exames especializados
- Fibroscopia gástrica (EOGD): permite visualizar a esofagite, a hérnia hiatal e a síndrome de Barrett — biópsias em caso de suspeita de síndrome de Barrett — indispensável se os sintomas durarem mais de 5 anos, em caso de disfagia, resistência aos inibidores da bomba de protões (IBP) ou sintomas atípicos
- pH-metria esofágica ambulatória de 24 horas: mede a acidez no esófago a cada 30 segundos — padrão-ouro do diagnóstico — distingue o RGO ácido, biliar ou misto — correlaciona os episódios de refluxo com os sintomas
- Impedância + pHmetria: deteta refluxos não ácidos (após IBP, refluxo biliar) — indicada em caso de resistência aos IBP, apesar da adesão perfeita ao tratamento
- Manometria esofágica de alta resolução: avalia a pressão e a função do esfíncter esofágico inferior (EEI) — indispensável antes de cirurgia antirrefluxo
- Transito esofágico-gástrico com bário: visualiza a hérnia hiatal e as regurgitações — menos sensível do que a pH-metria, mas mais acessível
Tratamento natural e princípios ativos anti-refluxo
- Alcaçuz desglicirrizinado (DGL): estimula a produção de muco protetor da mucosa esofágica — comprimidos mastigáveis 20 minutos antes das refeições — protege o esófago do refluxo ácido sem efeito hipertensivo — primeira linha no acompanhamento natural
- Gengibre (500–1 000 mg antes das refeições): acelera o esvaziamento gástrico (procinético) → menos ácido disponível para refluir — reduz as náuseas associadas — disponível em cápsulas ou infusão fresca na nossa gama de suplementos digestivos
- Camomila (infusão, 3 chávenas/dia): anti-inflamatória e antiespasmódica da mucosa esofágica e gástrica — acalma a azia após o refluxo ácido
- Vinagre de cidra de maçã (1 colher de chá num copo de água antes da refeição): paradoxalmente alcalinizante apesar da sua acidez — melhora a motilidade gástrica — utilizar com precaução (diluir sempre, nunca tomar puro) e consultar um médico em caso de DRGE grave
- Gel de aloé vera para uso interno: cicatrizante da mucosa esofágica — sumo de aloé vera de manhã, em jejum — apoio natural à reparação da mucosa em casos de esofagite ligeira
Tratamentos médicos, cirurgia e estilo de vida anti-refluxo
- IBP (inibidores da bomba de protões): omeprazol, pantoprazol, esomeprazol — 20–40 mg/dia, 30 minutos antes da primeira refeição — tratamento de referência para esofagites — 8 semanas, seguidas de reavaliação — risco de carência de magnésio e vitamina B12 se o tratamento for superior a 6 meses consecutivos
- Fundoplicatura de Nissen (cirurgia antirrefluxo): reforço cirúrgico do esófago superior por enrolamento do fundo gástrico — laparoscópica — indicada na DRGE resistente aos IBPs ou em caso de hérnia hiatal volumosa — eficácia comparável à dos IBPs ao fim de 10 anos, segundo os estudos
- Estilo de vida anti-refluxo estruturado: perda de peso se o IMC for > 25 (1.º tratamento) — cessação tabágica — intervalo de 3 horas antes de se deitar após as refeições — cabeceira da cama elevada 15 cm com calços — roupa folgada — evitar esforço físico intenso após as refeições
- Gastrite associada: H. pylori frequentemente coexistente na DRGE — a erradicação pode melhorar os sintomas — teste respiratório ou de antigénio fecal antes do tratamento
- Consultar se: sintomas noturnos frequentes, tosse crónica inexplicável, disfagia, perda de peso, hemorragias, resistência aos IBP após 8 semanas de adesão ao tratamento — endoscopia sistemática para rastreio da síndrome de Barrett