A folhade oliveira (Olea europaea) é uma das plantas medicinais mais bem documentadas no que diz respeito à saúde cardiovascular. Os seus principais princípios ativos são:
O colesterol LDL oxidado é particularmente visado pela oleuropeína e pelo hidroxitirosol, que inibem a sua peroxidação lipídica — uma das etapas-chave na formação das placas de aterosclerose.
A ação anti-hipertensiva do extrato de folha de oliveira é a indicação mais bem documentada. A oleuropeína atua através da inibição da ECA (mecanismo semelhante ao dos inibidores farmacêuticos da ECA) e da vasodilatação direta. Um ensaio aleatório controlado (Phytomedicine, 2011) demonstra uma redução de -11 mmHg na pressão sistólica e de -4,8 mmHg na pressão diastólica após 8 semanas com 500 mg/dia de extrato padronizado.A hipertensão arterial ligeira a moderada é a indicação prioritária — a folha de oliveira não substitui um tratamento anti-hipertensivo prescrito para casos de hipertensão grave. As cápsulas com teor calibrado de oleuropeína são a forma mais padronizada para esta indicação.
A oleuropeína inibe a α-glicosidase intestinal (enzima que degrada o amido em glicose) e melhora a sensibilidade à insulina em estudos pré-clínicos. Esta ação hipoglicemiante ligeira está documentada em estudos preliminares realizados em voluntários saudáveis pré-diabéticos. A oliveira é, portanto, um complemento potencialmente interessante para a regulação da glicemia pós-prandial — sem, no entanto, substituir um tratamento antidiabético prescrito. O macerado gemmoterápico de oliveira + alecrim atua simultaneamente sobre o colesterol, os triglicéridos e o metabolismo hepático dos lípidos.
Os botões de oliveira (macérato glicerinado 1DH) são considerados mais concentrados em fatores de crescimento, oleuropeína e meristemas ativos do que as folhas adultas. As fórmulas gemoterapêuticas que associam vários botões exploram sinergias específicas: Espinheiro-alvar + Oliveira + Figueira (tensão + ansiedade + glicemia), Oliveira + Alecrim (colesterol + fígado), Tília + Bétula + Oliveira (sono + tensão).A espinheira-alvar é a planta mais frequentemente associada à oliveira na gemmoterapia para a regulação cardiovascular — a sua sinergia é particularmente adequada para casos de ansiedade e hipertensão.
A oliveira está disponível em infusão (1 colher de sopa de folhas para 250 ml de água a ferver, 10-15 minutos, 2 a 3 chávenas por dia), em extrato glicerinado sem álcool (EFG), em cápsulas tituladas em oleuropeína e em macerado de botões. A duração recomendada do tratamento é de, no mínimo, 3 a 6 meses para efeitos duradouros. As principais precauções são: potencial interação com anti-hipertensivos e antidiabéticos (efeito aditivo, risco de hipotensão ou hipoglicemia) e não é recomendado durante a gravidez.O alho (Allium sativum) é frequentemente associado à oliveira nos protocolos fitoterapêuticos cardiovasculares — a sua combinação tem um efeito sinérgico sobre a pressão arterial, o colesterol e a prevenção da aterosclerose.
A folha de oliveira insere-se naturalmente numa abordagem de prevenção cardiovascular global, a par de outras plantas e nutrientes bem documentados. Atua simultaneamente sobre vários fatores de risco: pressão arterial (oleuropeína, inibidor da ECA), colesterol LDL oxidado (hidroxitirosol, antioxidante), glicemia pós-prandial (inibidor da α-glicosidase) e inflamação vascular (polifenóis anti-inflamatórios). Os ómega-3 (EPA + DHA) são princípios ativos complementares da oliveira para a saúde cardiovascular — reduzem os triglicéridos, exercem um efeito antiagregante e têm uma ação antiarrítmica comprovada, preenchendo mecanismos que a oliveira não abrange diretamente. A combinação de oliveira + alho + ómega-3 constitui um dos protocolos fitoterapêuticos mais completos para a prevenção cardiovascular natural.