O que é o ascaris e qual é o seu ciclo parasitário?
O ascaris (Ascaris lumbricoides) é o maior nemátodo intestinal do ser humano — a fêmea pode medir até 35 cm — e um dos mais comuns no mundo, com mais de mil milhões de pessoas infetadas. O seu ciclo é complexo, incluindo uma fase pulmonar muitas vezes desconhecida. Deve ser distinguido dos oxiuros (5–10 mm, frequentes em França), cujo tratamento é diferente. A nossa gama de produtos antiparasitários oferece os vermífugos adequados.
- Ingestão dos ovos: legumes ou frutas sujos e não lavados, água não tratada, solo contaminado — os ovos são extremamente resistentes no solo (até 6 anos)
- Fase larval intestinal: as larvas eclodem no intestino delgado e atravessam a parede intestinal para chegar ao fígado e, posteriormente, aos pulmões através da circulação sanguínea
- Fase pulmonar (síndrome de Löffler): tosse, expectoração, febre ligeira, eosinofilia no sangue — as larvas sobem pelas brônquias, remontam a traqueia e são engolidas
- Fase intestinal adulta: os vermes adultos instalam-se no intestino delgado — tempo de vida de 1 a 2 anos — cada fêmea adulta põe 200 000 ovos por dia
- Frequência: muito rara em França (casos importados) — endémica em regiões tropicais e subtropicais com acesso limitado a água potável — consulte a nossa página sobre parasitas internos
Sintomas, complicações e diagnóstico
- Formas assintomáticas: frequentes em caso de infestação ligeira (< 10 vermes) — descoberta fortuita durante a educação física ou expulsão espontânea de um verme nas fezes
- Sintomas digestivos: dores abdominais, náuseas, diarreia, perda de apetite — proporcionais à carga parasitária
- Fase pulmonar (Löffler): tosse seca + febre ligeira + eosinofilia (> 500/µL) — surge 10–14 dias após a ingestão — pode assemelhar-se a uma bronquite ou a uma pneumonia — transitória (1–2 semanas)
- Complicações da infestação grave: obstrução intestinal (bolha de vermes a obstruir o intestino delgado — emergência cirúrgica), migração anómala (vermes no canal biliar → angiocolite, ou no apêndice → apendicite), perfuração intestinal
- Nas crianças: desnutrição proteica (os vermes consomem os nutrientes), atraso no crescimento, anemia — impacto significativo no desenvolvimento cognitivo e escolar em zonas endémicas
Diagnóstico e tratamento da ascaridíase
Consulte a nossa página sobre vermífugos para conhecer os protocolos detalhados. O diagnóstico é imprescindível antes de qualquer administração de antiparasitários.
- Exame parasitológico das fezes (EPF): identificação de ovos de ascarídeos ao microscópio — 3 amostras em dias diferentes para maximizar a sensibilidade — consulte a nossa página sobre parasitose
- Hemograma + eosinofilia: eosinófilos > 500/µL durante a fase larval — indicador da fase pulmonar
- Flubendazol (Fluvermal®): tratamento de eleição em França, sem receita médica — dose única — eficácia > 95 % nos vermes adultos — não destrói as larvas em migração pulmonar
- Albendazol ou mebendazol: alternativas eficazes em dose única — sujeitas a receita médica
- Gravidez: evitar os benzimidazóis no 1.º trimestre — consulta médica obrigatória — o albendazol é possível no 2.º e 3.º trimestres em caso de infestação grave
Prevenção e correção das carências induzidas
- Higiene alimentar rigorosa: lavar legumes e frutas com água limpa ou descascá-los — cozinhar os alimentos (os ovos são destruídos a 60 °C) — não consumir água não tratada em zonas de risco
- Higiene das mãos: lavar com sabão após jardinagem, manuseamento de terra, antes das refeições — os ovos podem sobreviver debaixo das unhas
- Zonas endémicas: não andar descalço em solos que possam estar contaminados
- Correção de carências pós-tratamento: zinco 10–15 mg/dia (imunidade mucosa) + vitamina C (absorção de ferro perturbada pela infestação) — especialmente nas crianças
- Avaliação de acompanhamento: EPS 3 semanas após o tratamento — confirmar a erradicação — repetir o tratamento se persistir — consulte a nossa página sobre parasitas intestinais