O que é o vírus do herpes simplex (VHS) e como funciona?
O herpes é uma infeção viral crónica causada pelo vírus do herpes simplex (VHS), da família dos Herpesviridae. O HSV caracteriza-se pela sua capacidade de permanecer latente ao longo da vida nos gânglios nervosos sensoriais após a infeção inicial, reativando-se posteriormente de forma periódica. Não existe um tratamento erradicador, mas os antivirais permitem controlar os surtos e reduzir a transmissão. Para o herpes labial (bolha na boca), consulte a nossa página dedicada às bolhas na boca. Descubra os nossos produtos para o herpes e as bolhas na boca, bem como as nossas fórmulas homeopáticas para o herpes.
- VHS-1 vs VHS-2: VHS-1 — principalmente herpes oral (lábios, boca, narina), mas pode causar herpes genital por transmissão orogenital — seroprevalência muito elevada (67 % da população mundial) — primoinfecção frequentemente na infância (girodets, contacto com a saliva) — HSV-2 — principalmente herpes genital (órgãos genitais, região anal) — transmissão sexual predominante — seroprevalência de 11 % em França — ambos os tipos podem provocar encefalite herpética grave (situação de urgência)
- Latência e reativação: após a primoinfecção, o HSV migra ao longo das fibras nervosas sensoriais → gânglio trigeminal (HSV-1) ou gânglios sacrais (HSV-2) → integração nos neurónios → latência — durante uma reativação (stress, fadiga, imunodepressão, radiação UV, ciclo menstrual) → o vírus remonta ao longo das fibras nervosas → novo surto
- Transmissão: contacto direto com as lesões ativas (vesículas, úlceras) — contacto com a saliva ou secreções genitais — transmissão possível mesmo na ausência de lesões visíveis (excreção viral assintomática — responsável por 70 % das transmissões) — transmissão vertical mãe-filho (neonatal — emergência vital)
- Primoinfecção vs. recorrência: primoinfecção — frequentemente assintomática ou mais grave (gingivostomatite herpética na criança com febre + aftas múltiplas, vulvovaginite herpética na mulher adulta) — recidivas — geralmente menos intensas — precedidas por um pródromo (ardor, formigueiro, prurido) 12–24 horas antes da erupção
- Complicações graves: encefalite herpética (emergência neurológica — cefaleias intensas + febre + alterações do estado de consciência → contactar o 15 imediatamente) — herpes neonatal (contagio durante o parto se houver primoinfecção materna recente — emergência vital) — herpes ocular (ceratite herpética — nunca tratar localmente com corticosteroides) — em doentes imunodeprimidos: herpes disseminado sistémico grave
Tratamentos antivirais de referência
- Aciclovir, valaciclovir, famciclovir: inibidores da polimerase de ADN viral — reduzem a duração, a gravidade e a contagiosidade dos surtos — eficazes se iniciados logo nos prodromos (ardor/formigueiro) ou nas 48–72 horas seguintes ao aparecimento das lesões — valaciclovir (pró-fármaco do aciclovir) — melhor biodisponibilidade oral — esquemas terapêuticos: curativo (episódio agudo) ou supressivo a longo prazo (> 6 recorrências/ano) — prescrição médica
- Tratamento curativo do herpes oral: valaciclovir 2 g × 2/dia durante 1 dia (Valtrex) — aciclovir 200 mg × 5/dia durante 5 dias — creme tópico de aciclovir (eficácia limitada, sobretudo se iniciado na fase prodrômica) — creme de penciclovir (mais eficaz do que o aciclovir tópico)
- Tratamento supressivo (herpes recorrente): valaciclovir 500 mg/dia de forma contínua — reduz as recidivas em 70–80 % — reduz a transmissão ao parceiro em 50 % — recomendado se > 6 recidivas/ano ou se houver impacto psicossocial significativo
- Herpes durante a gravidez: primoinfecção no terceiro trimestre → tratamento antiviral + discutir a via de parto com o obstetra (cesariana se houver lesões ativas no final da gravidez) — valaciclovir 500 mg/dia a partir da 36.ª semana de gravidez, em caso de herpes genital recorrente, para prevenir um surto durante o parto — acompanhamento obstétrico rigoroso obrigatório
- Quando consultar com urgência: suspeita de encefalite herpética (cefaleias + febre + confusão) → 15 — herpes ocular (dor ocular + lacrimejamento + fotofobia) → oftalmologista com urgência — herpes neonatal (vesículas + febre no recém-nascido) → urgências pediátricas
Abordagens naturais complementares e prevenção de recidivas
- L-lisina: aminoácido que inibe competitivamente a arginina (aminoácido indispensável para a replicação do VHS) — vários estudos demonstram uma redução da frequência e da duração das recidivas — 500–1 000 mg/dia na prevenção ou 3 g/dia durante um surto — reduzir a ingestão de alimentos ricos em arginina (chocolate, nozes, amêndoas, amendoins) durante os surtos
- Zinco: propriedades antivirais diretas sobre o VHS (inibe a ligação do vírus às células) + imunoestimulante + cicatrizante — em aplicação tópica (sulfato de zinco): reduz a duração das lesões — em suplementação oral: 25–45 mg/dia durante um surto (não exceder esta dose sem aconselhamento médico) — picolinato ou bisglicinato de zinco
- Própolis: inibição da replicação do VHS-1 e do VHS-2 in vitro e in vivo — um estudo clínico que comparou o creme de própolis a 3 % com o creme de aciclovir revelou resultados equivalentes na cicatrização — por aplicação tópica (gel ou creme de própolis) ou por via oral (solução oral) — descubra a nossa gama dedicada
- Melissa (Melissa officinalis): ácido rosmarínico + taninos — atividade antiviral comprovada contra o HSV-1 e o HSV-2 in vitro — em extrato tópico (creme ou gel de melissa a 1 %) — aplicações locais nas lesões 2 a 4 vezes por dia — reduz a duração das recidivas em alguns ensaios clínicos
- Vitamina C e imunidade: as recidivas são desencadeadas por um enfraquecimento do sistema imunitário — vitamina D3 + zinco + vitamina C na prevenção de recidivas — gestão do stress (principal fator desencadeante: cortisol → reativação viral) — proteção solar FPS 30+ nos lábios (UV = principal fator desencadeante do herpes labial)
Prevenção da transmissão, vida quotidiana e apoio
- Medidas de prevenção da transmissão: evitar o contacto pele a pele e os beijos durante os surtos ativos — não partilhar bálsamos labiais, talheres, lâminas de barbear, toalhas — preservativo (reduz a transmissão genital, mas não a elimina, devido à excreção assintomática) — informar os parceiros sexuais
- Fatores desencadeantes a evitar: stress emocional → técnica de coerência cardíaca + meditação + magnésio — fadiga → sono suficiente (7–9 horas) — Raios UV → FPS 30+ nos lábios (indispensável em caso de herpes labial recorrente) — hormonas → ciclo menstrual (considerar um tratamento supressor em caso de surtos sistemáticos) — alimentação rica em arginina
- Impacto psicológico e estigmatização: o herpes genital, em particular, pode afetar a autoestima e a vida relacional — lembrete: 11 % da população francesa está infetada pelo HSV-2 e 67 % pelo HSV-1 — doença comum, crónica e controlável — associações de apoio: Herpèsjection (herpesjection.fr) — consulta psicológica se houver impacto significativo na qualidade de vida
- Gravidez e herpes: informar sistematicamente o ginecologista-obstetra — o maior risco é a primoinfecção durante o terceiro trimestre (risco de transmissão neonatal de 30–50 %) — as recidivas no final da gravidez sob tratamento supressivo apresentam um risco muito mais baixo (< 1 %)
- Pessoas imunodeprimidas: o herpes pode ser mais grave, mais frequente e mais extenso — o tratamento antiviral supressivo é frequentemente recomendado desde o início — acompanhamento médico regular — não utilizar preparações naturais sem aconselhamento médico devido às potenciais interações com os imunossupressores