Muitas vezes confundidos,o orgelet e o calázio são duas afeções palpebrais bem distintas. O orgelet é uma infeção aguda do folículo piloso de um cílio ou de uma glândula de Zeiss causada pelo Staphylococcus aureus — forma-se na borda livre da pálpebra, é doloroso e evolui, em poucos dias, para uma acumulação purulenta. O calázio, por outro lado, é uma inflamação crónica asséptica de uma glândula de Meibomius — localizada mais profundamente na pálpebra, indolor ou pouco dolorosa, com evolução lenta ao longo de várias semanas. Um orgelet mal tratado pode transformar-se em calázio devido à obstrução persistente do folículo.
O calor húmido é o tratamento de primeira linha recomendado antes de qualquer recurso a antibióticos locais. A uma temperatura de 38-40 °C, durante 5 a 10 minutos, 3 a 4 vezes por dia, o calor umedecido liquefaz o conteúdo da glândula infetada, favorece a maturação e a drenagem espontânea e melhora a microcirculação local. Estudos comparativos demonstram que é suficiente para resolver 70 a 80 % dos orgelets não complicados em 5 a 7 dias. Nunca se deve perfurar ou espremer o terçol por conta própria — existe o risco de celulite pré-septal devido à propagação da infeção por toda a pálpebra.
Antisséptico natural de amplo espectro, a própolis é o princípio ativo mais documentado contra o Staphylococcus aureus — a bactéria responsável por 90 % dos orgelets. Os seus ésteres fenólicos (CAPE, artepillina C) inibem o crescimento do S. aureus, incluindo certas estirpes de MRSA, de acordo com estudos in vitro. Quando aplicada localmente sob a forma de colírio com 5-10 % de extrato seco, complementa o tratamento com compressas. A sua ação anti-inflamatória (inibição do NF-kB) reduz o eritema e o edema palpebral. Utilização: sempre sob orientação farmacêutica, nunca na forma pura em contacto com as mucosas oculares.
A camomila (Matricaria chamomilla) é o princípio ativo calmante de referência nos cuidados oculares naturais. O seu azuleno e o seu alfa-bisabolol inibem a libertação de histamina e de leucotrienos pró-inflamatórios — reduzindo o prurido e o eritema palpebral. Uma infusão arrefecida a 37-38 °C pode ser utilizada como compressa. Precaução: é possível que exista alergia cruzada com as asteráceas — testar previamente.
A calêndula (Calendula officinalis) tem propriedades cicatrizantes e é um antisséptico suave. Os seus flavonoides (quercetina) e triterpenos (faradiol) reduzem a inflamação e aceleram a reparação epidérmica após a drenagem natural. Apenas na forma de água floral ou extrato aquoso diluído — nunca utilizar preparações alcoólicas em contacto com os olhos.
Os terçóis recorrentes (mais de 2-3 episódios por ano) indicam frequentemente uma fragilidade imunológica local. A vitamina C (500 mg a 1 g/dia) apoia a resposta antiestafilocócica, estimulando a fagocitose dos neutrófilos e reforçando a barreira epitelial palpebral. Estudos epidemiológicos associam a carência de vitamina C a uma maior suscetibilidade a infeções cutâneas por Staphylococcus. Pode ser recomendado um tratamento de 4 a 8 semanas para prevenir recidivas, em complemento a uma higiene palpebral rigorosa.
A maioria dos terçóis resolve-se com cuidados locais. A página «Olhos irritados» detalha os cuidados complementares para o conforto palpebral. É necessário consultar um oftalmologista sem demora se o terçol não melhorar após 7 dias, se o inchaço se alargar a toda a pálpebra ou à região periorbital, se surgir febre, se a visão ficar turva ou se as recidivas forem frequentes. Estes sinais podem indicar uma celulite pré-septal que requer um tratamento antibiótico sistémico ou uma drenagem cirúrgica.