Quais são os diferentes tipos de dores de cabeça e as suas causas?
As dores de cabeça (cefaleias) constituem uma das queixas médicas mais frequentes. A classificação internacional ICHD-3 distingue mais de 200 tipos:
- Cefaleias de tensão (60 a 70 %): dor bilateral em forma de «capacete», de intensidade ligeira a moderada, associada à contração dos músculos cranianos sob stress ou devido a uma postura prolongada.
- Enxaquecas (15 a 20 % da população adulta): dor unilateral pulsátil, de intensidade moderada a grave, associada a náuseas e fotofobia. Mecanismo: depressão cortical invasiva e ativação do nervo trigémino.
- Cefaleias por abuso de analgésicos: paradoxalmente induzidas pela toma excessivamente frequente de analgésicos (> 10 a 15 dias/mês).
- Cefaleias secundárias: sintoma de uma patologia subjacente. Uma cefaleia «tipo golpe de trovão» (intensidade máxima em menos de um minuto), acompanhada de febre, rigidez na nuca ou défice neurológico, exige uma consulta médica urgente.
O magnésio reduz a frequência das dores de cabeça?
O magnésio é o suplemento mais bem documentado na prevenção das cefaleias. O seu mecanismo: bloqueio dos recetores NMDA (reduz a hiperexcitabilidade cortical), inibição da substância P (neuropeptídeo pró-dor do trigémino) e redução das contrações musculares crânio-cervicais. Meta-análises confirmam uma redução da frequência das enxaquecas de 41 % em comparação com o placebo, com 600 mg/dia de dicitrato de magnésio durante 12 semanas. O Grupo Europeu sobre Enxaqueca (EHF) recomenda-o como profilaxia de primeira linha para as cefaleias crónicas.
Vitamina B2 e CoQ10: profilaxia das dores de cabeça recorrentes?
Dois princípios ativos mitocondriais dispõem de evidências clínicas suficientes para figurarem nas recomendações de profilaxia:
- A vitamina B2 (riboflavina, 400 mg/dia): está documentada uma disfunção mitocondrial na enxaqueca. Um ensaio aleatório (Schoenen, 1998) demonstra uma redução de 50 % na frequência das enxaquecas após 3 meses. Recomendada pelas diretrizes europeias e americanas em matéria de profilaxia.
- A coenzima Q10 (300 mg/dia): o mesmo mecanismo mitocondrial. Um estudo controlado (Sandor, 2005) demonstra uma redução de 47 % na frequência, em comparação com o placebo, após 3 meses. Recomendada pela Academia Americana de Neurologia.
Estes princípios ativos devem ser utilizados em profilaxia durante, pelo menos, 3 meses — não tratam a crise aguda.
Os óleos essenciais aliviam as cefaleias tensivas?
Existem dados clínicos relativos a dois óleos essenciais:
- A hortelã-pimenta (OE): um estudo aleatório controlado (Göbel, 1996) demonstrou que a aplicação de uma solução a 10 % de óleo essencial de hortelã-pimenta nas têmporas reduz a dor das cefaleias de tensão de forma comparável a 1 000 mg de paracetamol ao fim de 30 minutos. O mentol ativa os recetores TRPM8, que inibem as vias da dor do trigémino. Aplicação: 2 a 3 gotas diluídas num óleo vegetal nas têmporas e na testa — evitar o contacto com os olhos.
- A lavanda verdadeira (ÓE): um estudo aleatório (Sasannejad, 2012) demonstra que a inalação durante 15 minutos reduz significativamente a gravidade das crises de enxaqueca. O seu linalol modula os recetores GABA e reduz a libertação da substância P trigeminal.
A passiflora ajuda nas dores de cabeça relacionadas com o stress?
As cefaleias de tensão associadas ao stress crónico podem beneficiar de um apoio no que diz respeito ao seu mecanismo desencadeante. A passiflora (Passiflora incarnata) reduz a hiperexcitabilidade nervosa através dos recetores GABA-A (crisina, apigenina), diminuindo a tensão muscular crânio-cervical que desencadeia as dores. Estudos aleatórios confirmam a sua eficácia na ansiedade ligeira após 4 semanas, comparável à do oxazepam (Akhondzadeh, 2001), sem os efeitos cognitivos das benzodiazepinas nem o potencial de dependência.
Que fatores desencadeantes das dores de cabeça devem ser identificados?
A identificação dos fatores desencadeantes pessoais é a estratégia preventiva mais eficaz:
- Fatores alimentares: álcool (vinho tinto, cerveja), excesso de cafeína ou abstinência, enchidos (nitritos), queijos curados (tiramina), alimentos ultraprocessados (glutamato monossódico).
- Fatores comportamentais: saltar refeições (hipoglicemia), desidratação (a falta de 1 a 2 copos de líquido pode desencadear uma cefaleia em 30 a 60 minutos), excesso ou falta de sono.
- Fatores ambientais: luzes intensas, odores fortes, ruídos intensos, altitude.
- Fatores hormonais: a menstruação, a contraceção hormonal e a menopausa são fatores desencadeantes importantes nas mulheres, associados às flutuações dos estrogénios na sensibilidade do nervo trigémino.