O stress no cavalo é uma resposta fisiológica e comportamental a estímulos percebidos como ameaçadores ou desestabilizadores. As causas dividem-se em duas categorias: os fatores ambientais (isolamento dos congéneres, estábulo permanente, falta de pastagem, mudanças frequentes de ambiente) e os fatores relacionados com as atividades (transporte, competição, treino intenso, desmame do potro pela égua). O cavalo é uma presa com instinto gregário e de fuga — qualquer situação de isolamento ou contenção percebida como impossível de escapar gera uma ativação prolongada do eixo HHS, acompanhada de hipercortisolémia. O stress crónico manifesta-se através de estereotipias (tic de apoio, tic aerófago, weaving), úlceras gástricas, imunossupressão e perturbações comportamentais persistentes.
Os sinais de stress equino manifestam-se a vários níveis. As manifestações agudas incluem hipervigilância (orelhas em movimento, olhar fixo, narinas dilatadas), nervosismo durante a escovagem ou ao colocar o equipamento, coices ao ser selado e dificuldades em permanecer imóvel. Os sinais crónicos são mais discretos: perda de apetite, emagrecimento apesar de uma ração adequada, pelagem baça, diarreia recorrente, transpiração excessiva. As estereotipias são sinais de alarme de um stress crónico não resolvido. O magnésio marinho é uma das primeiras carências a corrigir num cavalo nervoso — modula os recetores NMDA e GABA-A do sistema nervoso central, reduzindo a hiperexcitabilidade neuromuscular.
Vários princípios ativos são utilizados para apoiar o equilíbrio nervoso do cavalo:
O triptofano e a vitamina B1 constituem frequentemente a base das fórmulas em pó de ação prolongada, enquanto a L-teanina e a passiflora estão mais presentes nas fórmulas de ação rápida (seringas e líquidos de administração rápida).
As seringas calmantes (formato oral de 60 ml, administração direta na boca) constituem uma solução para o stress agudo — transporte, participação em competições, cuidados de ferrador ou tratamentos veterinários stressantes. A sua composição combina geralmente magnésio, triptofano, L-teanina, extratos de plantas calmantes e vitamina B1, num gel ou líquido de absorção rápida. O efeito começa ao fim de 30 a 60 minutos e dura 4 a 6 horas. Estes produtos são suplementos alimentares e não constam da lista de substâncias dopantes equestres — podendo, portanto, ser utilizados em competições oficiais, sob reserva de verificação prévia do regulamento de cada disciplina.
A suplementação anti-stress não pode substituir uma abordagem comportamental adequada. As medidas mais eficazes a longo prazo incluem o aumento do tempo de pastagem com outros cavalos (erva fresca rica em magnésio natural e vitaminas B), a redução do tempo no box, uma rotina estável e o enriquecimento do ambiente (brinquedos, feno disponível permanentemente). As técnicas de trabalho a pé e os métodos naturais de equitação permitem restabelecer a confiança com o cavaleiro e reduzir a ansiedade durante as manipulações. O bem-estar dos animais de criação assenta nesta combinação de cuidados nutricionais e de uma abordagem comportamental respeitadora da etologia da espécie.
Certas manifestações de stress equino ultrapassam o âmbito da suplementação e requerem um parecer veterinário. Uma perda de peso progressiva, apesar de uma ração adequada, cólicas recorrentes (frequentemente associadas a stress crónico e a úlceras gástricas), dor abdominal crónica, uma alteração brusca do comportamento num cavalo habitualmente calmo ou o aparecimento de estereotipias estabelecidas há menos de 6 meses merecem uma investigação. O diagnóstico de úlceras gástricas (gastroscopia) e a medição dos níveis de cortisol na saliva ou na urina permitem quantificar o estado de stress crónico. A gestão do stress no cavalo é uma área em que o veterinário comportamentalista equino (especialidade reconhecida) contribui com conhecimentos especializados valiosos, complementares às abordagens nutricionais. A vitamina B1 (tiamina) por injeção intravenosa pode ser administrada pelo veterinário em casos de deficiência aguda com sinais neurológicos (ataxia, incapacidade de se levantar) — uma situação distinta da ansiedade funcional comum.