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Cicatrizes de acne: compreender e atenuar o seu aspeto

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Quais são as causas das marcas de acne?

As marcas de acne englobam várias realidades distintas: hiperpigmentação pós-inflamatória (marcas castanhas ou cinzentas nos fotótipos IV a VI), eritema pós-inflamatório (vermelhidão residual) e verdadeiras cicatrizes (alterações estruturais do derme). Resultam da resposta inflamatória das lesões acneicas:

  • obstrução do folículo pilossebáceo (sebo, células córneas), proliferação de *Cutibacterium acnes* e inflamação.
  • Quando a inflamação atinge as camadas profundas do derme, o tecido pode ficar alterado, o que resulta em cicatrizes duradouras.
  • Fatores agravantes: gravidade e duração daacne, manipulação e autoextração das lesões, exposição solar sem proteção (que acentua ainda mais as hiperpigmentações).
  • Predisposições individuais: genética, fotótipo, tendência para cicatrizes hipertróficas ou quelóides.

Os principais tipos de cicatrizes: atróficas (deprimidas) em forma de«ice pick» (ponta de gelo), «rolling» (onduladas) ou «boxcar» (crateras com bordas bem definidas); hipertróficas (relevadas) ou, mais raramente, quelóides, mais frequentes nas costas e no peito.

Como prevenir as marcas de acne?

A prevenção assenta em alguns princípios-chave:

  • Tratar a acne logo nos primeiros sinais, com uma abordagem adaptada à gravidade (recomendações da SFD/HAS).
  • Não mexer nas borbulhas: não espremer, não coçar. A autoextração aumenta o risco de cicatrizes duradouras.
  • Fotoproteção rigorosa durante todo o ano (FPS 30 a 50, textura fluida não comedogénica) para limitar a hiperpigmentação pós-inflamatória, particularmente acentuada nos fotótipos IV a VI. Ver proteção solar.
  • Rotina cosmética suave, não comedogénica, sem acumulação de princípios ativos irritantes.
  • Consulte um dermatologista atempadamente em caso de acne moderada a grave ou de tendência para marcas duradouras.

Quais são os tratamentos eficazes contra as marcas de acne?

As opções terapêuticas organizam-se em vários níveis, consoante a natureza das marcas:

  • Hiperpigmentação pós-inflamatória:
    • Vitamina C tópica (ácido ascórbico estabilizado): antioxidante, contribui para uniformizar a tez.
    • Niacinamida a 5 a 10 %, ácido azelaico cosmético (até 10 %), ácido tranexâmico tópico.
    • Ácidos esfoliantes (ácido glicólico, ácido mandélico, ácido láctico, ácido salicílico — máximo de 2 % em produtos cosméticos, de acordo com o Regulamento (CE) n.º 1223/2009) — fotossensibilizantes: é imprescindível a utilização de FPS.
    • Retinol cosmético na rotina, ou retinóides médicos tópicos sujeitos a receita médica (adapaleno, tretinoína) — mais potentes, fotossensibilizantes e, em alguns casos, contraindicados durante a gravidez. A hidroquinona é proibida em cosméticos despigmentantes na União Europeia (Anexo II do Regulamento (CE) n.º 1223/2009).
  • Cicatrizes atróficas:
    • Peelings químicos superficiais a médios (glicólico, salicílico, TCA de baixa concentração) em consultório médico.
    • Microneedling (dermaroller, dermapen) em consultório médico, com asepsia rigorosa.
    • Lasers fracionados não ablativos ou ablativos (CO₂, érbio).
    • Subcisão para cicatrizes depressivas retráteis.
    • Preenchimento comácido hialurónico para certas cicatrizes depressivas redondas.
  • Cicatrizes hipertróficas ou quelóides:
    • Corticoterapia intralesional (injeções de triancinolona), pensos de silicone, crioterapia direcionada, laser vascular, conforme as indicações.

Todos estes procedimentos médicos devem ser realizados no âmbito de uma consulta dermatológica ou médico-estética, para avaliar a relação benefício/risco de acordo com o perfil do doente, o tipo de cicatrizes e o fotótipo. A acne ativa deve ser controlada antes do tratamento das cicatrizes.

Como é que os cuidados naturais podem atenuar as marcas de acne?

Várias abordagens complementares podem acompanhar os cuidados:

  • Gel de aloé vera puro: calmante, bem tolerado.
  • Óleo vegetal de rosa mosqueta: rico em ácidos gordos essenciais e carotenóides, tradicionalmente utilizado pelo seu efeito emoliente e nutritivo; os dados clínicos sobre as cicatrizes continuam a ser limitados.
  • Niacinamida tópica em sérum cosmético: bom perfil de tolerância.
  • Ácido azelaico cosmético para hiperpigmentações.

Estas abordagens são adequadas como complemento de uma rotina bem conduzida, sem substituir os tratamentos médicos em caso de cicatrizes estruturais. Teste qualquer produto novo na dobra do cotovelo 24 a 48 horas antes de o utilizar regularmente. Evite práticas encontradas na Internet sem eficácia comprovada (limão puro — fotossensibilização pelas furocumarinas, pasta de dentes, bicarbonato de sódio aplicado repetidamente no rosto).

Quando consultar um dermatologista por causa de marcas de acne?

Recomenda-se uma consulta dermatológica se:

  • As marcas forem extensas, profundas ou estruturais (cicatrizes depressivas ou em relevo).
  • A acne ativa não estiver controlada ou continuar grave.
  • As hiperpigmentações persistirem, apesar de uma rotina cosmética adequada durante 3 a 6 meses.
  • O impacto psicológico, social ou profissional for significativo.
  • Forem necessárias orientações profissionais para a escolha de um procedimento (peeling, microneedling, laser, preenchimento).
  • Cicatrizes hipertróficas ou quelóides (tratamento específico).

O dermatologista avalia o tipo de marcas, o fotótipo e o contexto global, e propõe uma estratégia adequada.

Qual é o impacto das hormonas na acne e nas suas marcas?

As hormonas desempenham um papel reconhecido no desenvolvimento da acne através dos androgénios, que estimulam a produção de sebo. As flutuações hormonais (puberdade, ciclo menstrual, gravidez, pós-parto, menopausa, síndrome dos ovários policísticos — SOPK) podem intensificar os surtos e, consequentemente, o risco de marcas residuais. Uma consulta médica permite avaliar:

  • A oportunidade de realizar um exame hormonal (androgénios, funções ováricas) em mulheres adultas com acne persistente, especialmente se associada a menstruações irregulares, hirsutismo ou alopecia androgenética.
  • A utilidade de um tratamento hormonal regulador (sob prescrição médica, após avaliação das contraindicações e dos riscos).
  • A gestão de eventuais efeitos indesejáveis e o benefício esperado para a pele.

Como é que a alimentação influencia as marcas de acne?

A alimentação atua principalmente na acne ativa e, indiretamente, no risco de marcas:

  • Índice glicémico elevado (açúcares adicionados, alimentos ultraprocessados): pode agravar os surtos em algumas pessoas.
  • Produtos lácteos (nomeadamente desnatados): associados a um possível agravamento em vários estudos, com efeito variável consoante os perfis.
  • Ómega-3, frutas e legumes, antioxidantes (vitaminas A, C, E; polifenóis): efeito globalmente favorável na inflamação sistémica e na qualidade da pele.
  • Zinco: útil em caso de carência comprovada.
  • Hidratação regular.

A exclusão empírica não é recomendada. Um parecer médico ou nutricional permite uma abordagem individualizada.

Quais são os riscos dos tratamentos agressivos contra a acne?

Os tratamentos médicos potentes são muito eficazes, mas implicam precauções rigorosas:

  • Isotretinoína oral: teratogénica (contra-indicação absoluta durante a gravidez). Programa de prevenção da gravidez (ANSM) com contraceção eficaz e contínua, testes de gravidez regulares e consentimento prévio para mulheres em idade fértil. Acompanhamento biológico rigoroso (análise hepática e lipídica), vigilância dos efeitos indesejáveis (secura cutânea e mucosa acentuada, perturbações psíquicas — alterações de humor, pensamentos suicidas, a comunicar imediatamente), fotossensibilizante.
  • Retinóides tópicos (adapaleno, tretinoína, isotretinoína tópica): fotossensibilizantes, inicialmente irritantes, alguns contraindicados durante a gravidez.
  • Peróxido de benzoílo: fotossensibilizante, branqueia têxteis e roupa de cama, irritante no início da utilização.
  • Ciclinas orais (doxiciclina, limeciclina): fotossensibilizantes, contraindicadas durante a gravidez e em crianças com menos de 8 anos, a evitar em caso de alergia.
  • Lasers, peelings médios a profundos: riscos de hiperpigmentação pós-inflamatória (fotótipos IV a VI), queimaduras e infeções em caso de protocolo inadequado. Devem ser realizados por profissionais experientes.

O acompanhamento médico reduz significativamente estes riscos, supervisionando cada etapa.

Porquê um acompanhamento dermatológico regular?

Um acompanhamento dermatológico regular é particularmente valioso em casos de acne moderada a grave:

  • Ajustar os tratamentos de acordo com a evolução da pele.
  • Detecção precoce de efeitos indesejáveis e adaptação rápida.
  • Limitação dos riscos de cicatrizes permanentes.
  • Tratamento gradual das marcas residuais, uma vez controlada a acne.
  • Acompanhamento do impacto psicológico, especialmente na adolescência.
  • Adaptação às fases hormonais (puberdade, gravidez, menopausa).

Quais são as inovações recentes contra as marcas de acne?

As inovações recentes na dermatologia estética abrem várias vias:

  • Lasers fracionados não ablativos (1540, 1550, 1565 nm) ou ablativos (CO₂, erbio fracionado) com protocolos aperfeiçoados de acordo com o fotótipo.
  • Energias combinadas (radiofrequência fracionada com microagulhamento), microagulhamento por radiofrequência.
  • Subcisão assistida para cicatrizes depressivas retráteis.
  • Preenchimento com ácido hialurónico para certas cicatrizes redondas.
  • Novos princípios ativos tópicos (peptídeos, aminoácidos, niacinamida, ácido tranexâmico) em formulações estabilizadas.
  • Investigação sobre bioterapias (anti-IL para formas inflamatórias graves ou resistentes), ainda em desenvolvimento.

Cada procedimento é discutido na consulta para avaliar o perfil, as expectativas e a relação benefício/risco, particularmente nos fotótipos escuros, onde a hiperpigmentação pós-inflamatória pode complicar certos protocolos.