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Cor natural: realçar a tonalidade sem produtos químicos

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O que é a cor natural do cabelo?

A cor natural do cabelo refere-se, em primeiro lugar, à tonalidade original, aquela determinada pela genética, sem coloração nem tratamento oxidante. Depende da concentração e do tipo de melanina, o pigmento produzido pelos folículos. Por extensão, também se fala de cor natural no que diz respeito às tinturas vegetais sem amoníaco nem agentes sintéticos, à base de hena, índigo, casca de noz ou camomila, que respeitam a fibra capilar. Estes dois significados convergem em torno de uma mesma ideia: realçar ou recuperar uma tonalidade sem agredir o cabelo. Para conhecer o processo detalhado de aplicação de uma tintura vegetal, a página «coloração natural» fornece informações complementares.

Como é que a melanina determina a tonalidade?

A cor original de cada tipo de cabelo resulta de dois pigmentos:

  • A eumelanina: responsável pelas tonalidades escuras (castanho, castanho-escuro, preto);
  • A feomelanina: na origem das tonalidades mais claras (ruivo, loiro, dourado).

É o equilíbrio e a concentração destas duas melaninas que determinam a tonalidade única de cada pessoa. Com a idade, a produção de melanina diminui, o que explica o aparecimento dos cabelos brancos. Compreender estes princípios básicos ajuda a escolher uma tintura vegetal em harmonia com a cor natural do cabelo, em vez de entrar em conflito com ela, para um resultado luminoso e coerente.

Quais são as vantagens de uma tintura vegetal?

Optar por uma tintura de cor natural oferece vários benefícios para a fibra capilar e para o ambiente. É suave para o couro cabeludo, sem ingredientes agressivos, o que a torna uma escolha apreciada por quem tem couro cabeludo sensível. Envolve a fibra capilar, conferindo brilho e corpo, sendo que o hena reforça visualmente a espessura do cabelo. Não descolora nem danifica o cabelo, ao contrário dos processos oxidantes. Além disso, é ecológica: biodegradável e sem resíduos tóxicos. Estas qualidades enquadram-se numa rotina de cuidados capilares respeitosa. As tinturas vegetais são frequentemente apresentadas como compatíveis com a gravidez, mas, por precaução, recomenda-se consultar um médico durante este período, tal como acontece com qualquer coloração.

Cor natural ou coloração química: qual é a diferença?

A principal diferença reside no modo de ação. A coloração química penetra no interior do cabelo, abrindo as escamas da cutícula, e altera a pigmentação interna por oxidação, o que pode fragilizar a fibra de forma duradoura e criar cabelos descolorados e sensibilizados. A coloração natural, por sua vez, fixa-se na superfície, envolvendo o fio capilar como uma camada protetora: não altera a pigmentação interna nem a estrutura. Outra distinção prática: a cor vegetal desvanece-se progressivamente, sem efeito de raiz marcado, ao passo que as colorações químicas exigem retoques frequentes nas raízes. Em contrapartida, a tintura vegetal oferece uma paleta mais restrita e não permite clarear o cabelo. A escolha depende, portanto, do equilíbrio entre o respeito pela fibra capilar e a liberdade na escolha da tonalidade.

Que plantas utilizar para personalizar a tonalidade?

As plantas tintoriais permitem compor uma paleta personalizada:

  • Henna (Lawsonia inermis): reflexos acobreados a vermelho intenso;
  • Índigo (Indigofera tinctoria): castanhos, pretos e reflexos frios;
  • Casca de noz: castanho quente a castanho;
  • Camomila e ruibarbo: loiro dourado, loiro veneziano;
  • Cúrcuma: reflexos dourados luminosos;
  • Hibisco, groselha preta, beterraba: reflexos vermelhos ou violáceos;
  • Amla (groselha indiana): tratamento tonificante e fixador de cor.

Combinar hena, índigo e plantas complementares permite refinar a tonalidade, ao mesmo tempo que se cuida do cabelo.

Como cobrir os cabelos brancos?

As tinturas vegetais cobrem os cabelos brancos, mas o resultado com uma base apenas de hena confere reflexos acobreados. Para obter tons escuros naturais, recomenda-se o método em duas etapas: aplicar primeiro hena pura (ruiva-acobreada) para criar uma base pigmentar e, em seguida, cobrir com uma coloração escura (índigo ou mistura vegetal) para obter castanho, castanho-escuro ou preto. Esta técnica garante uma cobertura ideal e um resultado luminoso, sem reflexos artificiais. A cobertura pode exigir aplicações regulares, uma vez que os cabelos brancos são mais difíceis de pigmentar de forma duradoura com produtos vegetais. Um teste prévio numa mecha, numa zona discreta, permite antecipar o resultado real antes da aplicação completa, variando este consoante a percentagem de cabelos brancos e a cor de base inicial.

É possível clarear com uma cor natural?

Não: uma coloração natural não permite clarear a tonalidade original. Os pigmentos vegetais não contêm o agente oxidante (como o peróxido de hidrogénio) necessário para remover a melanina do cabelo; limitam-se a adicionar pigmentos por cima. Algumas plantas, como a camomila, a curcuma ou o mel, podem, no entanto, conferir reflexos luminosos e acentuar os tons dourados em bases já claras, sem realmente clarear. Para um verdadeiro clareamento, apenas as técnicas químicas oxidantes o permitem, à custa de um impacto na fibra capilar. Por isso, é importante ter expectativas realistas: a cor natural realça, matiza e escurece, mas nunca clareia uma base escura. Este limite faz parte integrante da sua suavidade, sendo precisamente a ausência de oxidante o que protege o cabelo.

Como cuidar da cor natural?

Para preservar o brilho de uma cor natural, bastam alguns cuidados. Utilize um champô suave sem sulfatos, com um pH adequado, e evite champôs clarificantes ou anticaspa, que removem os pigmentos vegetais. Aplique máscaras nutritivas com óleos vegetais (jojoba, rícino, coco) para manter a flexibilidade e o brilho. Espace as lavagens para duas ou três por semana e dê preferência à água morna, pois a água quente acelera o desbotamento. Um champô suave para cabelos pintados completa os cuidados. Reaplicar a tintura regularmente, de acordo com a sua velocidade de desbotamento, reaviva a tonalidade. Com estes gestos simples, a cor mantém-se luminosa e harmoniosa durante várias semanas, ao mesmo tempo que se beneficia do efeito de cuidado próprio das tinturas vegetais, que nutrem a fibra a cada aplicação.