Quais são os tipos de cefaleias e os seus mecanismos específicos?
As cefaleias são classificadas pela ICHD-3 em mais de 200 tipos. Três grupos principais requerem uma abordagem preventiva diferenciada:
- Cefaleias de tensão (60 a 70 %): dor bilateral em forma de capacete, mecanismo musculo-facial. Respondem bem às técnicas de relaxamento, ao magnésio e às terapias comportamentais.
- Enxaquecas (15 a 20 % da população): dor unilateral pulsátil, mecanismo trigémino-vascular e depressão cortical invasiva.
- Cefaleias em salvas (cluster headaches): dores periorbitais unilaterais de intensidade extrema, que ocorrem em «salvas» de 1 a 8 episódios por dia durante 2 a 12 semanas. Mecanismo: ativação hipotalâmica com libertação de CGRP (peptídeo relacionado com o gene da calcitonina). Muito incapacitantes — é indispensável uma consulta neurológica para o tratamento de base.
A vitamina D3 previne as cefaleias crónicas?
A vitamina D3 desempenha um papel comprovado na fisiopatologia das cefaleias. A sua deficiência (< 20 ng/mL) está associada a uma prevalência mais elevada de cefaleias crónicas em vários estudos. Os seus mecanismos:
- Modulação do gene TPH2 (triptofano hidroxilase 2): regula a síntese de serotonina — neurotransmissor cujas flutuações desencadeiam as enxaquecas.
- Redução do CGRP: inibe a produção do neuropeptídeo central na fisiopatologia da enxaqueca.
Uma meta-análise (2019) confirma que uma suplementação que normalize os níveis reduz a frequência mensal das enxaquecas em 2,2 dias, em média. Recomenda-se a determinação dos níveis séricos antes da suplementação.
A melatonina é eficaz nas cefaleias em salvas?
A melatonina é particularmente interessante no tratamento das cefaleias devido à sua ação hipotalâmica — sede da hiperativação que desencadeia as cefaleias em salvas:
- Cefaleias em salvas: estudos-piloto demonstram que a melatonina (10 mg à hora de deitar) reduz a frequência e a intensidade das crises episódicas através da modulação do relógio hipotalâmico e da redução do CGRP.
- Enxaquecas: dois ensaios aleatórios (Peres, 2004; Gonçalves, 2016) demonstram que a melatonina (3 mg à hora de dormir) reduz a frequência das enxaquecas de forma comparável à amitriptilina, com menos efeitos secundários. Os seus mecanismos: inibição das prostaglandinas, redução do stress oxidativo neuronal e do CGRP.
Os ómega-3 previnem as cefaleias crónicas?
Os ómega-3 (EPA e DHA) atuam na fisiopatologia das cefaleias através de dois mecanismos:
- Produção de resolvinas anti-inflamatórias, que competem com o ácido araquidónico (ómega-6) pelas enzimas COX e LOX — reduzindo a inflamação trigeminal central.
- Redução do CGRP plasmático: um estudo aleatório controlado (Ramsden et al., BMJ 2021) com uma dieta enriquecida em ómega-3 (3 a 4 g de EPA+DHA/dia) demonstra uma redução significativa da frequência e da intensidade das enxaquecas.
A curcuma alivia as cefaleias de origem inflamatória?
A curcuma (curcuminoides + piperina) inibe várias vias envolvidas nas cefaleias:
- Inibição da COX-2 e do NF-kB: reduz a prostaglandina E2, mediador central da dor trigeminal.
- Redução da sensibilização trigeminal central através da expressão de TRPV1 (receptor de capsaicina nas fibras C trigeminais).
Estudos preliminares em pessoas com enxaqueca mostram uma redução da frequência das crises com extratos padronizados de elevada biodisponibilidade (BCM-95 ou Meriva).
Vitaminas B6 e B12 contra as cefaleias associadas à homocisteína?
A hiper-homocisteinemia é um fator de risco independente para enxaquecas e cefaleias crónicas. A vitamina B6 converte a homocisteína em cistationina — a sua deficiência é mais frequente em mulheres que tomam contraceção oral, um fator de risco adicional para enxaquecas hormonais. A vitamina B12 (metilcobalamina) + vitamina B9 atuam como cofatores da metionina sintase. O ensaio MIGRA demonstra que a suplementação com B6 + B9 + B12 reduz a frequência das enxaquecas com aura em 50 %, normalizando os níveis de homocisteína.