A bronquite crónica é definida clinicamente pela presença de tosse produtiva (com expectoração) durante, pelo menos, 3 meses por ano, ao longo de dois anos consecutivos, na ausência de outra causa pulmonar ou cardíaca que explique estes sintomas. Resulta de uma inflamação persistente dos brônquios, que provoca uma hipersecreção de muco, uma hipertrofia das glândulas mucosas e uma alteração progressiva da depuração mucociliar. A bronquite crónica é uma das duas principais componentes da DPOC (broncopneumopatia crónica obstrutiva) — juntamente com o enfisema —, termo genérico que designa um grupo de doenças pulmonares obstrutivas caracterizadas por uma obstrução não totalmente reversível dos fluxos de ar. A DPOC é a terceira causa de mortalidade a nível mundial (OMS). O acompanhamento médico especializado é indispensável para qualquer doente com bronquite crónica — consulte um pneumologista para um exame inicial completo, incluindo a espirometria.
O tabagismo é responsável por 80 a 90 % dos casos de DPOC: o fumo destrói os cílios brônquicos, altera a resposta imunitária da mucosa e mantém uma inflamação crónica local. Outros fatores causais incluem a poluição atmosférica (partículas finas PM2,5), a exposição profissional prolongada (pó mineral, isocianatos, cádmio) e infeções respiratórias recorrentes graves na infância. Ligue para o 15 em caso de dificuldade respiratória aguda, cianose ou alteração do estado de consciência.
Os sintomas evoluem de forma insidiosa ao longo de anos antes de o doente procurar assistência médica: tosse matinal produtiva (a característica «expectoração matinal»), falta de ar progressiva durante o esforço, sibilos expiratórios (wheezing), infecções respiratórias invernais cada vez mais frequentes e graves, e fadiga crónica. A dificuldade respiratória durante o esforço é frequentemente o primeiro sinal que leva à consulta — nesta fase, a perda de função pulmonar já é significativa.
O diagnóstico baseia-se na espirometria (teste de referência) — que mede o VEMS (volume expiratório máximo por segundo) e o rácio VEMS/CVF. Uma relação VEMS/CVF < 0,70 após broncodilatação confirma a obstrução brônquica irreversível característica da DPOC. A classificação GOLD (I a IV) determina o grau de gravidade com base no VEMS e orienta as decisões terapêuticas. A radiografia torácica e a tomografia computadorizada pulmonar excluem os diagnósticos diferenciais (cancro brônquico, pneumonia, asma). A análise das expectorações identifica os agentes patogénicos durante as exacerbações.
Não existe um tratamento curativo para a bronquite crónica — o tratamento visa retardar a progressão da doença, reduzir as exacerbações e melhorar a qualidade de vida.Deixar de fumar é a única intervenção que altera significativamente o curso natural da doença — reduz imediatamente o ritmo de declínio do VEMS. Os tratamentos medicamentosos incluem broncodilatadores inalatórios (beta-2-agonistas, anticolinérgicos) para reduzir a obstrução, corticosteroides inalatórios em caso de exacerbações frequentes e antibióticos durante exacerbações infecciosas comprovadas. Recomenda-se a vacinação anual contra a gripe e contra o pneumococo a todos os doentes com DPOC.
Em apoio ao tratamento médico, várias abordagens naturais contribuem para a gestão diária. A hera trepadeira (saponósidos broncospasmolíticos e expectorantes — utilização bem estabelecida pela EMA) ajuda a fluidificar e a eliminar o muco. A hidratação abundante (1,5 a 2 L/dia) é indispensável para manter a fluidez das secreções brônquicas. A vitamina C (antioxidante que protege as células epiteliais brônquicas do stress oxidativo associado ao fumo e à poluição) e a vitamina D3 (reduz a frequência das exacerbações infecciosas) dispõem de dados clínicos que apoiam a sua suplementação em doentes com DPOC com carências. A própolis reforça a imunidade das mucosas respiratórias entre os episódios infecciosos.A obstrução brônquica crónica justifica a realização regular de fisioterapia respiratória. Estas abordagens não substituem o acompanhamento pneumológico nem o tratamento médico prescrito.