Um tratamento anti-piolhos é uma solução curativa destinada a eliminar os piolhos presentes no cabelo. Atua atacando os parasitas em diferentes fases do seu ciclo de vida: sufocando-os (ação física da dimeticona, que os envolve e asfixia), desidratando-os ou paralisando-os através de um princípio ativo inseticida, como a permetrina. Ao contrário de um repelente preventivo, o tratamento só deve ser utilizado em casode infestação confirmada. A sua eficácia depende tanto do produto como do rigor da aplicação e da penteação complementar com um pente fino. É a principal arma contra uma infestação, a integrar numa abordagem global que inclua o tratamento do ambiente e a vigilância do entorno.
Os tratamentos estão disponíveis em várias formas farmacêuticas, cada uma com as suas vantagens:
No que diz respeito à composição, alguns produtos apostam em princípios ativos naturais (árvore do chá, lavanda), outros em princípios ativos como a dimeticona ou a permetrina.
Os ingredientes ativos mais frequentemente recomendados são a dimeticona, a permetrina e, entre as opções naturais, o óleo essencial de árvore do chá. A dimeticona tem a vantagem de atuar fisicamente (por sufocamento), o que limita os fenómenos de resistência cada vez mais observados com inseticidas como a permetrina. A escolha depende das preferências (químico ou natural), da sensibilidade do couro cabeludo e da idade da pessoa tratada. Os princípios ativos naturais, embora sejam apelativos, continuam a ser menos documentados e exigem as mesmas precauções em termos de diluição e tolerância. Seja qual for a substância, nenhum princípio ativo dispensa uma penteação minuciosa e a repetição do tratamento: é a combinação produto + pente + repetição que garante a eficácia, muito mais do que a mera escolha da molécula.
Uma aplicação rigorosa determina o resultado. Siga atentamente as instruções do produto: a maioria aplica-se no cabelo seco (por vezes húmido, dependendo da fórmula), em todo o couro cabeludo e comprimentos, com especial atenção à nuca e ao contorno das orelhas, zonas preferidas dos piolhos. Respeite escrupulosamente o tempo de ação indicado antes de enxaguar abundantemente com água morna. Em seguida, penteie o cabelo com um pente fino para remover piolhos e lêndeas. O erro mais frequente é negligenciar o tempo de ação ou a penteação. Acima de tudo, não se esqueça de repetir o tratamento ao fim de 7 a 10 dias: esta segunda aplicação é indispensável para eliminar os piolhos que eclodiram das lêndeas após a primeira aplicação, principal causa das reinfestações.
A duração do tratamento depende da gravidade da infestação, do produto e do rigor da aplicação. Regra geral, prevê-se uma segunda aplicação após uma semana para interromper o ciclo de vida do piolho e garantir a erradicação completa. Quanto às precauções: evite qualquer contacto com os olhos e as mucosas, não aplique sobre pele irritada ou feridas abertas, respeite os tempos de aplicação e lave bem as mãos após a utilização. No caso das crianças, a maioria dos tratamentos pode ser utilizada, mas recomenda-se consultar um profissional de saúde antes de qualquer utilização, especialmente no caso de crianças pequenas e bebés, para quem se privilegiam os métodos físicos (penteação). Em caso de couro cabeludo irritado ou sensível, peça aconselhamento antes de aplicar.
São citados vários remédios naturais contra os piolhos: azeite, óleo de coco, óleo essencial de árvore do chá e vinagre de cidra. Os óleos gordurosos atuam sobretudo por asfixia e facilitam a penteação ao lubrificar a fibra capilar. A sua eficácia, no entanto, varia e está menos documentada do que a dos produtos específicos, especialmente contra as lêndeas. Os óleos essenciais, que são poderosos, devem ser obrigatoriamente diluídos e são desaconselhados em crianças pequenas e em mulheres grávidas ou a amamentar. É aconselhável consultar um profissional de saúde antes de os utilizar. Estas soluções podem complementar uma abordagem, mas perante uma infestação já estabelecida, os métodos comprovados continuam a ser a referência. O facto de serem naturais não é sinónimo de inocuidade, nem garante eficácia: a prudência e a repetição do penteado são fundamentais.
Após o tratamento, é essencial prevenir a reinfestação. Lave a alta temperatura (pelo menos 60 °C) as roupas, a roupa de cama e os objetos pessoais que tenham estado recentemente em contacto com a cabeça, ou isole-os num saco hermético. Evite partilhar objetos pessoais: escovas, pentes, chapéus, cachecóis. Examine regularmente a cabeça e o couro cabeludo para detetar quaisquer sinais precoces. Sensibilize as crianças para que não partilhem objetos pessoais. Importante saber: os piolhos não saltam nem voam — transmitem-se por contacto direto de cabeça a cabeça ou através de objetos contaminados. Os piolhos da cabeça sobrevivem pouco tempo fora do couro cabeludo (cerca de 24 horas). Por fim, os animais de estimação não transmitem piolhos humanos, que são específicos da espécie. Esta vigilância integra-se naturalmente na rotina de cuidados com o cabelo durante o período letivo.
Várias situações justificam a consulta a um profissional de saúde: sintomas que persistem apesar de um tratamento bem conduzido (possível resistência), uma infestação grave ou a presença de sinaisde infeção (vermelhidão acentuada, comichão intensa, feridas causadas por coçar). A comichão pode persistir alguns dias após a eliminação dos piolhos, sendo apenas uma consequência de coçar, sem que isso signifique um insucesso. Qualquer preocupação relativa à utilização de produtos químicos ou naturais, nomeadamente em crianças, merece também um aconselhamento personalizado. É de salientar que os piolhos da cabeça (couro cabeludo) e os piolhos do corpo (que vivem na roupa) são duas espécies distintas que requerem tratamentos diferentes. Um farmacêutico ou um médico poderá orientar para a solução mais adequada e descartar uma eventual complicação.