O que é a rouquidão e quais são as suas causas?
A rouquidão é uma alteração da voz, que se torna rouca, grave, abafada ou soprosa — um sinal de que as cordas vocais já não vibram normalmente. Pode ser aguda (durante alguns dias, frequentemente de origem viral) ou crónica (> 3 semanas, exigindo uma avaliação médica). Todas as rouquidades persistentes num fumador devem ser investigadas sem demora. Os cuidados para a garganta e a voz estão disponíveis na gama de produtos para dores de garganta e suavizantes para a garganta da loja.
- Causas agudas: laringite viral (rinovírus, gripe — a mais frequente) — sobreesforço vocal (gritar, cantar durante muito tempo, conferência intensa) — exposição a irritantes (fumo, ar seco, poluição) — alergia com secreção pós-nasal na laringe
- Causas crónicas a identificar: refluxo gastroesofágico (laringite posterior silenciosa — voz rouca pela manhã + pigarros crónicos) — nódulos ou pólipos nas cordas vocais (sobrecarga profissional) — tireoidite (hipo ou hipertireoidismo — a glândula tireóide comprime ou irrita o nervo recorrente laríngeo) — paralisia unilateral das cordas vocais (lesão do nervo recorrente — múltiplas etiologias a explorar)
- Sinal de alarme — cancro da laringe: qualquer rouquidão persistente por mais de 3 semanas num fumador ou ex-fumador exige uma laringoscopia otorrinolaringológica — o carcinoma epidermoide da laringe revela-se frequentemente apenas através de uma disfonia progressiva — o rastreio precoce determina o prognóstico (sobrevivência aos 5 anos > 90 % no estádio I vs. < 50 % no estádio IV)
- Clima e rouquidão: o ar frio e seco do aquecimento ou dos invernos reduz a humidade das mucosas laríngeas e diminui o limiar de irritação — humidificar o quarto (40–60 %) reduz significativamente a frequência dos episódios de rouquidão no inverno — as grandes diferenças de temperatura (interior quente/exterior frio) também fragilizam a mucosa laríngea
Como tratar e aliviar a rouquidão de forma natural?
No caso da rouquidão aguda de origem viral ou por sobrecarga, as medidas a tomar em casa são, na maioria das vezes, suficientes. O repouso vocal é a prioridade — nada de sussurrar (tensão laríngea paradoxal superior à da voz normal), nada de limpar a garganta (traumatismo direto das cordas vocais), nada de gritar nem de cantar. A hidratação (1,5 a 2 L/dia de líquidos mornos) lubrifica as cordas vocais e acelera a cicatrização da mucosa laríngea.
- Remédios naturais calmantes e antibacterianos: mel (1 a 2 colheres de chá puras, deixar derreter lentamente na boca para um contacto máximo com a laringe — propriedades emolientes e antibacterianas ligeiras — contraindicado antes do 1.º ano de idade) — própolis em pastilhas ou spray bucal (antibacteriano e anti-inflamatório local) — tomilho em chá (antisséptico respiratório + antiespasmódico) — gengibre e limão em infusão quente (anti-inflamatórios naturais)
- Pastilhas e rebuçados para a garganta: as pastilhas à base de ervas (alcaçuz, malva, marshmallow) lubrificam e protegem a mucosa laríngea — o alcaçuz (glicirrizina) acalma a inflamação local — o marshmallow (Althaea officinalis — mucilagens filmógenas) forma uma película protetora sobre as mucosas irritadas
- Inalações de vapor: 10 minutos, 2 a 3 vezes por dia — hidratam diretamente as cordas vocais — algumas gotas de óleo essencialde eucalipto ou tomilho para um efeito antisséptico adicional — humidificador no quarto durante a noite (40–60 %)
- Evitar: álcool (resseca as mucosas) — excesso de cafeína (diurético) — tabaco (inflamação crónica da laringe) — anti-histamínicos de 1.ª geração (ressecam as mucosas) — falar sem beber (a garganta seca aumenta o trauma vibratório)
Exercícios vocais, cirurgia e prevenção da rouquidão crónica
A prevenção da rouquidão nos profissionais que utilizam a voz (professores, cantores, atores, conferencistas) passa por uma higiene vocal rigorosa. Um aquecimento vocal antes de qualquer utilização intensiva é tão indispensável para um cantor como o aquecimento muscular para um desportista — melhora a flexibilidade das cordas vocais e reduz o risco de lesões.
- Exercícios de aquecimento vocal: vocalizações suaves nas vogais (mmm, nnn — ressonância nasal sem esforço laríngeo) — glissandos dos graves aos agudos com baixa intensidade — trinados labiais (vibrações labiais numa nota) — relaxamento do pescoço e dos ombros antes de falar (a tensão muscular perilaríngea agrava a disfonia) — técnicas respiratórias (apoio abdominal, inspiração nasal, expiração controlada)
- Quando a cirurgia é necessária: nódulos resistentes à reabilitação ortofónica (microcirurgia a laser endolaríngea) — pólipos unilaterais (exerecção cirúrgica sob anestesia geral) — paralisia das cordas vocais (medialização por injeção de gordura autóloga ou implante tireoplástico) — cicatrizes laríngeas pós-traumáticas — carcinoma laríngeo (cirurgia ± radioterapia, dependendo do estádio)
- Reabilitação fonoaudiológica: indispensável após qualquer tratamento cirúrgico das cordas vocais — mas também como primeira linha de tratamento para as disfonias funcionais (maus hábitos vocais) — correção da postura, da respiração e do início da voz — resultados frequentemente espetaculares em 6 a 12 sessões
- Rouquidão e afonia: a rouquidão ligeira a moderada corresponde a uma disfonia — a afonia (perda total da voz) é o seu estádio grave — ver também «extinção da voz» para o tratamento da afonia