A sensação de pele a puxar é aquela sensação desagradável de que a pele está a esticar, a retrair-se, parecendo demasiado pequena para o rosto ou para o corpo. É frequentemente acompanhada por um desconforto difuso, por vezes por uma ligeira sensação de ardor ou formigueiro. Este sinal nunca é insignificante: indica que a barreira cutânea está temporariamente enfraquecida, que a película hidrolipídica está empobrecida e que a pele tem dificuldade em reter a sua humidade. As causas mais comuns: limpeza demasiado agressiva, água calcária, frio seco do inverno, aquecimento central, ar condicionado, exposição solar intensa, envelhecimento, predisposição atópica. A resolução é geralmente rápida com os cuidados adequados.
Vários princípios ativos proporcionam um alívio imediato:
Técnica de emergência: aplicar um sérum de ácido hialurónico na pele húmida + um creme nutritivo por cima, nos 3 minutos seguintes.
A limpeza éa etapa responsável por 80 % dos casos de sensação de pele a puxar. Os sabonetes alcalinos (sabonete clássico de Marselha, sabonetes perfumados industriais) removem a película hidrolipídica e provocam aquela sensação característica de pele a puxar ao sair do duche. Os geles de banho espumantes com sulfatos fortes (nomeadamente o lauril sulfato de sódio) têm o mesmo efeito. Dê preferência a syndets sem sabão com pH próximo de 5,5 (Avène Trixera, La Roche-Posay Lipikar Syndet, Bioderma Atoderm), a sabonetes surgras enriquecidos com agentes nutritivos ou a óleos de limpeza que limpam sem desestabilizar a barreira cutânea. Água morna (36-37 °C, no máximo), banhos curtos (5 a 10 minutos), secagem com toques suaves e aplicação imediata de um emoliente.
Os emolientes relipidantes reconstroem a barreira a médio prazo:
Marcas especializadas: Lipikar e Cicaplast B5+ da La Roche-Posay, Tolérance Extrême e XeraCalm AD da Avène, Atoderm e Sensibio da Bioderma, Cicabiafine, Cold-Cream da Avène, Eucerin UreaRepair, Mustela Stelatopia para crianças.
Em caso de sensação aguda de repuxar (rosto que repuxa após um dia seco e ventoso, pele que arde ao sair do duche), um protocolo de emergência acalma em poucos minutos: spray de água termal no rosto, sérum com ácido hialurónico na pele húmida, bálsamo ou creme rico em ceramidas e glicerina e, idealmente, uma máscara hidratante durante 10 a 15 minutos. Para as mãos, aplicar um bálsamo relipidante após cada lavagem, de preferência mantendo as mãos com luvas durante a noite para potenciar a penetração. Para o couro cabeludo que puxa, um tratamento oleoso pré-champô com óleo de jojoba ou de argão acalma a zona.
Nos casos de pele atópica em que a sensação de repuxar é recorrente, a estratégia passa por uma rotina relipidante diária imprescindível. Os emolientes dermocosméticos de referência (Lipikar AP+, XeraCalm AD, Atoderm Intensive, Eucerin AtopiControl) devem ser aplicados pelo menos uma vez por dia em todo o corpo, de preferência duas vezes. Durante os surtos com sensação de repuxar particularmente intensa, alguns bálsamos formulados especificamente para o efeito incluem prebióticos cutâneos (filagrina, restaurador do microbioma) que apoiam a flora superficial. A centella asiática eo aloé vera complementam o tratamento através de aplicação localizada.
A utilização excessiva de princípios ativos potentes (retinol + AHA + BHA + vitamina C concentrada na mesma rotina) enfraquece duradouramente a barreira cutânea. Limpar o rosto duas vezes por dia com um produto abrasivo desestabiliza o filme hidrolipídico. Saltar a hidratação matinal e noturna acelera o ressecamento. Expor a pele ao aquecimento central seco, ao ar condicionado prolongado ou ao vento frio sem proteção agrava a sensação de repuxar. O bicarbonato de sódio caseiro deve continuar a ser evitado (o pH alcalino desequilibra de forma duradoura o pH fisiológico da pele ≈ 5,5). Beber pouca água (menos de 1,5 L/dia) priva a pele da sua hidratação interna.
Se a sensação de repuxar persistir apesar de uma rotina de hidratação adequada durante 4 a 6 semanas, ou se for acompanhada de vermelhidão acentuada, placas inflamatórias, comichão intensa, uma consulta com um dermatologista permite identificar uma dermatite atópica, rosácea, dermatite seborreica ou outra causa subjacente.