O que é a perda de apetite e quais são as suas causas?
A perda de apetite — designada clinicamente pelo termo anorexia (a distinguir da anorexia mental, um distúrbio psiquiátrico específico) — caracteriza-se por uma redução duradoura ou recorrente do desejo de comer, independentemente das necessidades energéticas reais. As suas causas são múltiplas e interligadas:
- Causas físicas: infeções agudas, doenças crónicas (insuficiência renal, hepatite, cancro), distúrbios da tiróide, dores abdominais crónicas.
- Efeitos secundários de medicamentos: quimioterapias, antibióticos, antidepressivos, opióides.
- Causas psicológicas: stress crónico, ansiedade, depressão — que alteram a regulação central do apetite através dos neurotransmissores.
- Causas nutricionais: carências de zinco ou de vitamina B12, que alteram a perceção do paladar e do olfato.
Uma perda de apetite pontual, associada a um episódio infeccioso ou a um stress passageiro, é benigna. Se for persistente ou estiver associada a uma perda de peso involuntária, exige um exame médico completo. É importante referir que, nas pessoas idosas, a perda de apetite é particularmente frequente e muitas vezes subestimada, apesar das suas graves consequências na massa muscular e na imunidade.
Quando se deve consultar um médico devido a perda de apetite?
É necessário consultar um médico nas seguintes situações:
- Perda de apetite durante mais de 2 semanas sem causa evidente identificável.
- Perda de peso involuntária superior a 5 % do peso corporal em menos de um mês.
- Fadiga intensa, dores abdominais, náuseas persistentes ou dificuldades na deglutição associadas.
- Contexto de doença crónica conhecida (diabetes, insuficiência cardíaca, cancro).
A avaliação inicial inclui geralmente um hemograma completo, análises hepáticas e renais, uma dosagem do TSH e, consoante o contexto, uma avaliação nutricional. Estes exames permitem orientar o diagnóstico e adaptar o tratamento.
Como estimular o apetite através da alimentação e do estilo de vida?
Na ausência de uma doença grave, vários ajustes práticos ajudam a restaurar o desejo de comer:
- Dividir as refeições: 5 a 6 refeições pequenas em vez de 3 refeições abundantes, o que resulta em menos sensação de opressão.
- Dar preferência a alimentos com elevada densidade nutricional em pequenas quantidades: frutos secos, abacate, queijo, azeite.
- Cuidar da apresentação e da variedade dos alimentos para estimular o apetite visual.
- Utilizar ervas aromáticas que estimulem as secreções digestivas: gengibre, feno-grego, cominho.
- Praticar uma atividade física leve antes das refeições, que estimule a grelina (hormona da fome).
Um sono suficiente é igualmente essencial: a leptina e a grelina, hormonas fundamentais na regulação do apetite, são profundamente afetadas pela privação de sono.
Que suplementos alimentares podem ajudar a estimular o apetite?
Certos micronutrientes desempenham um papel direto na perceção gustativa e no desejo de comer:
- Zinco: uma carência altera o paladar e o olfato — dois sentidos fundamentais para o apetite. Uma suplementação de curta duração pode restaurar estas perceções.
- Vitamina B12: indispensável para o funcionamento neurológico, influencia indiretamente o apetite através da regulação da energia.
- Gengibre como suplemento: as suas propriedades digestivas e carminativas podem facilitar a ingestão de alimentos, reduzindo náuseas e sensação de peso.
Estes suplementos devem ser utilizados como apoio a uma estratégia global, sob orientação médica em caso de contexto patológico.
Que consequências pode acarretar uma perda de apetite prolongada?
Uma anorexia prolongada não tratada acarreta complicações progressivas:
- Desnutrição e perda de massa muscular (sarcopenia), particularmente rápida em pessoas idosas.
- Carências múltiplas (ferro, vitaminas B, zinco, cálcio) que enfraquecem os ossos, o sistema imunitário e as funções cognitivas.
- Redução das defesas imunitárias, aumentando a vulnerabilidade a infeções.
- Alteração da cicatrização e abrandamento da recuperação pós-operatória ou pós-infecciosa.
O tratamento nutricional precoce, por vezes complementado com apoio psicológico se a origem for emocional, melhora significativamente o prognóstico e a qualidade de vida. Podem ser prescritos suplementos nutricionais orais (SNO) enriquecidos em casos de desnutrição comprovada, para cobrir as necessidades sem obrigar a volumes alimentares elevados.