As lêndeas são os ovos dos piolhos da cabeça. Muito pequenas, de forma oval e de cor esbranquiçada a amarelada, são frequentemente confundidas com caspa. A sua particularidade: estão firmemente coladas à haste do cabelo, perto do couro cabeludo, e não se soltam ao abanar a cabeça ou ao escovar o cabelo. Para as detetar, examine o cabelo mecha a mecha, num ambiente bem iluminado, de preferência à luz do dia. Preste especial atenção às zonas mais quentes do crânio: atrás das orelhas e na nuca, onde as lêndeas são geralmente mais numerosas. Um pente de dentes muito finos facilita muito a deteção, ao prender as lêndeas invisíveis a olho nu.
A distinção é crucial para adotar o tratamento adequado, pois as duas coisas não têm nada a ver uma com a outra:
O teste simples: tente deslocar a partícula com os dedos. Se resistir e permanecer presa, trata-se provavelmente de lêndeas; se deslizar facilmente, trata-se de caspa. Confundir as duas coisas leva a tratamentos desnecessários: um produto anti-piolhos não tem qualquer efeito sobre a caspa.
A eliminação das lêndeas requer paciência e precisão, pois a sua casca torna-as resistentes. Combina-se três abordagens. Pentear com um pente para lêndeas: após a aplicação de um condicionador ou de um produto específico que lubrifique a fibra capilar, penteie minuciosamente mecha a mecha com um pente de dentes muito apertados, idealmente todos os dias durante, pelo menos, duas semanas. Os tratamentos tópicos: loções, champôs ou sprays que contêm princípios ativos como a dimeticona (que asfixia) ou a permetrina, formulados para matar os piolhos e ajudar a soltar as lêndeas. Métodos naturais: certos óleos essenciais (árvore do chá, lavanda) são referidos pelo seu potencial repelente, mas a sua eficácia varia e exigem precauções. Seja qual for o método, o penteado regular continua a ser a etapa determinante para remover mecanicamente as lêndeas.
Compreender o ciclo de vida explica por que razão a repetição do tratamento é indispensável. As lêndeas eclodem em 7 a 10 dias, libertando ninfas que se tornam piolhos adultos em cerca de uma semana. Um piolho adulto pode viver até 30 dias no couro cabeludo, onde se alimenta de sangue. Por outro lado, longe da cabeça, um piolho não sobrevive mais do que 24 a 48 horas, por falta de alimento, o que limita a transmissão através do ambiente. Este ciclo exige a repetição do tratamento, geralmente com intervalos de 7 a 10 dias, para eliminar os piolhos provenientes das lêndeas que eclodiram após a primeira aplicação. É precisamente este desfasamento entre a morte dos piolhos adultos e a eclosão das lêndeas que explica as reinfestações quando se recorre a um único tratamento.
O modo de transmissão mais frequente das lêndeas e dos piolhos é o contacto direto cabeça com cabeça, muito comum entre crianças em ambientes coletivos. Mais raramente, a propagação pode ocorrer através de objetos pessoais: escovas, pentes, chapéus, cachecóis ou fronhas de almofada que tenham estado recentemente em contacto com uma cabeça infestada. No entanto, a sobrevivência limitada dos piolhos fora do couro cabeludo (24 a 48 horas) torna esta transmissão indireta secundária. Por precaução, aconselha-se lavar os objetos potencialmente contaminados a alta temperatura ou isolá-los num saco selado durante, pelo menos, 48 horas. Este conhecimento dos modos de transmissão permite direcionar as medidas úteis sem recorrer a uma desinfeção excessiva de toda a casa — o que é inútil e demorado —, concentrando os esforços nos têxteis que estiveram efetivamente em contacto com a cabeça.
Em caso de infestação, higienizar o ambiente evita a reinfestação, em complemento ao tratamento do cabelo. Lave todos os têxteis que possam ter estado em contacto (lençóis, fronhas, roupa, cachecóis, gorros) a uma temperatura de, pelo menos, 60 °C, o que elimina piolhos e lêndeas. Aspire os móveis, sofás e tapetes para remover eventuais lêndeas que tenham caído. Os objetos que não possam ser lavados podem ser guardados num saco hermético durante duas semanas. Desinfete escovas e pentes com água quente. Por outro lado, não é necessário recorrer em grande escala a sprays inseticidas para ambientes: uma vez que os piolhos não sobrevivem por muito tempo fora da cabeça, basta uma limpeza direcionada. Concentrar os esforços no tratamento capilar das pessoas infestadas e nos têxteis próximos continua a ser a estratégia mais eficaz e razoável.
Em termos de prevenção: evite o contacto cabeça com cabeça, não partilhe objetos pessoais (escovas, chapéus, toalhas) e examine regularmente a cabeça das crianças, especialmente após um alerta na escola. Os produtos repelentes, frequentemente à basede árvore do chá ou de lavanda, podem ajudar durante os períodos de risco, sem garantia absoluta. No que diz respeito às precauções: os óleos essenciais, que são potentes, devem ser diluídos e são desaconselhados em crianças pequenas e em mulheres grávidas ou a amamentar. Faça um teste cutâneo antes de qualquer aplicação e consulte um profissional de saúde antes de tratar uma criança com menos de dois anos, para quem se recomenda, em primeiro lugar, a remoção manual com um pente. Em caso de irritação do couro cabeludo ou de dúvida, peça aconselhamento. A deteção precoce e o rigor na penteação continuam a ser as melhores armas contra as lêndeas.