O fumador está exposto diariamente a mais de 7 000 substâncias químicas, das quais cerca de 60 são reconhecidas como cancerígenas pela IARC (Agência Internacional para a Investigação do Cancro). A nicotina cria rapidamente uma dependência neuroquímica através da ativação dos recetores nicotínicos acetilcolinérgicos do cérebro. O monóxido de carbono (CO) liga-se à hemoglobina em vez do oxigénio, reduzindo a capacidade de transporte sanguíneo e agravando a hipoxia tecidular. A nível cardiovascular, o tabaco favorece a aterosclerose, a vasoconstrição e a trombose, aumentando significativamente o risco de enfarte e de AVC. No que diz respeito ao sistema respiratório, a deterioração progressiva dos cílios brônquicos expõe o indivíduo a bronquites crónicas recorrentes e à enfisema.
O tabaco é o principal fator de risco cardiovascular modificável. A nicotina aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e a necessidade de oxigénio do miocárdio, enquanto o CO reduz o fornecimento de oxigénio. Esta dupla ação cria um desequilíbrio entre necessidades e apports particularmente perigoso. O tabagismo acelera a deposição de placas ateromatosas nas artérias coronárias e facilita a agregação plaquetária, multiplicando o risco de enfarte por 2 a 4 nos fumadores, de acordo com os dados da HAS. Para o sistema cardiovascular, deixar de fumar continua a ser a intervenção com a eficácia mais comprovada: o risco cardíaco diminui logo no primeiro ano de abstinência.
Os tratamentos para deixar de fumar reembolsados pelo Seguro de Saúde incluem:
A combinação de substitutos da nicotina com acompanhamento psicológico proporciona os melhores resultados. O Tabac Info Service (39 89) e a iniciativa «Mês Sem Tabaco» constituem recursos complementares eficazes.
Deixar de fumar dá início a uma recuperação progressiva da imunidade enfraquecida por anos de tabagismo. Vários nutrientes apoiam este processo:
A nicotina é um estimulante do sistema nervoso central que perturba a estrutura do sono: encurta as fases de sono profundo e aumenta os despertares noturnos, nomeadamente aqueles associados às ânsias de nicotina. Paradoxalmente, muitos fumadores consideram o cigarro um ansiolítico, quando na verdade este eleva os níveis basais de cortisol e adrenalina. A abstinência pode agravar temporariamente a ansiedade e a irritabilidade (síndrome de abstinência), mas estes sintomas atenuam-se em 2 a 4 semanas. A qualidade do sono melhora significativamente após 1 a 3 meses de abstinência.
O organismo inicia espontaneamente um processo de desintoxicação assim que se deixa de fumar: os cílios brônquicos regeneram-se, a capacidade pulmonar aumenta e a circulação restabelece-se. As curas de drenagem à base de plantas (desmodium, alcachofra, cardo-mariano) podem apoiar a função hepática, solicitada pela eliminação dos metabolitos do tabaco. A hidratação abundante (1,5 a 2 L/dia) facilita a eliminação renal das substâncias acumuladas. A prática regular de atividade física melhora a ventilação pulmonar e compensa o aumento de peso frequentemente observado no início da desintoxicação.