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Incontinência urinária: conforto e proteção no dia a dia

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O que é a incontinência urinária e quais são os seus tipos?

A incontinência urinária refere-se à perda involuntária de urina, resultante de uma deficiência no controlo da bexiga. De acordo com a HAS e a Sociedade Francesa de Urologia, afeta uma parte significativa da população adulta, particularmente as mulheres com mais de 50 anos e os homens com mais de 60 anos.

São tradicionalmente descritas quatro formas clínicas principais, cada uma com os seus próprios mecanismos e tratamentos.A incontinência de esforço ocorre durante a tosse, os espirros, o riso, o transporte de cargas ou a prática de atividades desportivas, devido a uma deficiência do esfíncter ou dos músculos do pavimento pélvico.A incontinência de urgência (urgência urinária) ou hiperatividade vesical está associada a uma necessidade repentina, incontrolável e urgente de urinar, acompanhada, por vezes, de perda de urina antes de se chegar à casa de banho.A incontinência mista combina os dois mecanismos anteriores e representa uma parte significativa dos casos nas mulheres idosas.A incontinência funcional resulta de uma limitação física ou cognitiva que impede de chegar à casa de banho a tempo (mobilidade reduzida, perturbações cognitivas, ambiente inadequado). A incontinência insere-se no âmbito dos distúrbios urinários, cuja avaliação médica é indispensável.

Quais são as causas da incontinência?

As causas da incontinência urinária são multifatoriais e variam consoante o sexo, a idade e o tipo clínico. A sua identificação precisa orienta a estratégia terapêutica.

Nas mulheres, vários fatores são predominantes: fraqueza dos músculos do pavimento pélvico associada a gravidezes e partos (especialmente por via vaginal, com peso elevado à nascença e lacerações perineais), alterações hormonais da menopausa com atrofia urogenital, antecedentes cirúrgicos pélvicos, prolapso genital, excesso de peso, obstipação crónica, tosse crónica. Noshomens, as principais causas incluem: patologias da próstata (hipertrofia benigna, sequelas de cirurgia prostática devido a adenoma ou cancro), lesões neurológicas. Causas comuns a ambos os sexos: envelhecimento com enfraquecimento progressivo das estruturas de suporte, lesões nervosas (neuropatias diabéticas, esclerose em placas, sequelas de AVC, lesões medulares), diabetes, infeções urinárias, obesidade, certos medicamentos (diuréticos, sedativos, certos anti-hipertensivos), atividades profissionais de risco (manuseamento repetido de cargas pesadas).

Como se diagnostica a incontinência urinária?

O diagnóstico baseia-se principalmente numa abordagem clínica estruturada. Os exames complementares são orientados pela avaliação inicial e pelo contexto.

A avaliação inicial inclui um inquérito detalhado: tipo de perdas (de esforço, de urgência, mista), circunstâncias em que ocorrem, duração, impacto na vida quotidiana e emocional, antecedentes médicos e obstétricos, medicação em uso. Um diário miccional ao longo de 3 a 7 dias (volumes, horários, episódios de perdas, circunstâncias) fornece informações valiosas para o diagnóstico diferencial.O exame clínico inclui, nas mulheres, um exame perineal e pélvico (detecção de prolapso, avaliação dos músculos do pavimento pélvico, teste da tosse) e, nos homens, um exame da próstata (exame retal). Os exames complementares clássicos incluem: análise à urina (tira reagente, cultura de urina se houver suspeita de infeção), ecografia do aparelho urinário (medição do resíduo pós-miccional) e medição do débito urinário. O exame urodinâmico especializado, realizado numa consulta de urologia, é indicado em casos complexos, em caso de insucesso do tratamento inicial ou antes de uma cirurgia. A consulta pode ser encaminhada pelo médico de clínica geral, pelo ginecologista, pelo urologista ou por um fisioterapeuta especializado em reabilitação perineal.

Que opções de tratamento existem?

O tratamento da incontinência urinária é progressivo e adaptado a cada situação. Geralmente, propõe-se uma abordagem conservadora como primeira linha de tratamento, antes de se considerar tratamentos mais invasivos.

A reabilitação perineal realizada por um fisioterapeuta ou uma parteira especializada constitui o tratamento de primeira linha para a incontinência de esforço. Esta combina exercícios de Kegel (contrações voluntárias dos músculos do pavimento pélvico), biofeedback (visualização da atividade muscular em tempo real) e eletroestimulação em determinadas indicações. A eficácia depende da regularidade (geralmente 15 a 20 sessões iniciais, seguidas de continuação em casa). As alterações comportamentais incluem: gestão da ingestão de líquidos (nem em excesso nem em falta), horário de micção programado, redução de irritantes vesicais (cafeína, álcool, refrigerantes), perda de peso em caso de excesso de peso e tratamento da obstipação. Os tratamentos medicamentosos são indicados consoante o tipo: anticolinérgicos (oxibutinina, solifenacina, fesoterodina) para a urgência urinária, agonistas beta-3-adrenérgicos (mirabegrona), tratamento hormonal local (estrogénios vaginais) em mulheres na menopausa com atrofia urogenital. As intervenções cirúrgicas são consideradas em caso de insucesso do tratamento conservador: tiras suburetrais (TVT, TOT) para a incontinência de esforço feminina, esfíncter urinário artificial, neuromodulação sacral. Os produtos absorventes adequados (a distinguir dos produtos de higiene íntima convencionais) fazem parte do tratamento.

Que mudanças no estilo de vida podem ajudar?

Várias adaptações no estilo de vida melhoram significativamente a situação, em complemento aos tratamentos médicos e à reabilitação perineal.

Recomendam-se várias medidas. Atividade física regular e adequada para manter um peso corporal saudável e fortalecer a musculatura abdomino-pélvica (a natação, o ciclismo e o ioga são particularmente adequados; os desportos de alto impacto, como a corrida e os saltos, podem agravar a incontinência de esforço). Evitar irritantes da bexiga: cafeína (café, chá, refrigerantes, cola, chocolate), álcool, citrinos em excesso, pratos picantes, adoçantes. Hidratação adequada: manter uma ingestão suficiente (1,5 a 2 litros distribuídos ao longo do dia) sem privação excessiva (a concentração urinária favorece, paradoxalmente, a urgência urinária). Abandono do tabagismo: a tosse crónica do fumador agrava a incontinência de esforço. Tratamento da obstipação crónica através de hábitos alimentares saudáveis e hidratação. Técnicas de relaxamento e gestão da urgência (métodos de distração, contração preventiva do pavimento pélvico) em caso de urgência urinária. A gama completa de produtos de apoio ao conforto urinário está disponível na farmácia.

É possível prevenir a incontinência urinária?

A prevenção da incontinência urinária é, em parte, possível, especialmente em pessoas em risco. Algumas medidas simples têm eficácia comprovada.

As medidas preventivas recomendadas incluem: atividade física regular ao longo da vida (fortalecimento muscular geral, manutenção de um peso saudável); prática de exercícios de Kegel a partir da idade adulta, especialmente após a gravidez e o parto (a reabilitação pós-parto é reembolsada pelo Seguro de Saúde em França e fortemente recomendada); uma alimentação equilibrada e rica em fibras para prevenir a obstipação, que exerce uma pressão crónica sobre o pavimento pélvico; a manutenção de um peso corporal saudável (o excesso de peso e a obesidade aumentam significativamente o risco de incontinência); limitação dos fatores agravantes (consumo excessivo de cafeína, álcool, tabaco); gestos de proteção do períneo na vida quotidiana (aprender a contrair o períneo antes de um esforço, como levantar um peso, tossir ou espirrar). Para as mulheres, a reabilitação perineal pós-parto sistemática é um investimento preventivo essencial. Nos homens, o acompanhamento regular da próstata a partir dos 50 anos permite a deteção precoce de patologias prostáticas.

A incontinência é mais frequente nas mulheres?

Sim, a incontinência urinária é significativamente mais frequente nas mulheres do que nos homens. Vários fatores anatómicos e fisiológicos explicam esta diferença.

Nas mulheres, os principais fatores explicativos são: a anatomia uretral (uretra curta, com cerca de 3 a 4 cm, e menos estruturas de suporte); gravidez e parto por via vaginal, que exercem pressão e podem causar lesões no pavimento pélvico (as mulheres que já tiveram vários partos correm maior risco, especialmente após o parto de bebés de grande peso ou com lacerações perineais); menopausa com défice de estrogénio, que altera a trofia dos tecidos urogenitais; prolapsos genitais que alteram a anatomia da bexiga e da uretra. Noshomens, a incontinência urinária continua a ser menos frequente, mas surge principalmente no contexto de patologias da próstata: sequelas de cirurgia para hipertrofia benigna da próstata ou cancro da próstata (incontinência pós-prostatectomia), hipertrofia prostática com retenção crónica e perdas por refluxo. A partir dos 80 anos, a prevalência aproxima-se entre os dois sexos devido ao envelhecimento fisiológico e às comorbidades. A seleção adequada para os cuidados masculinos encontra-se nas farmácias.

Qual é o impacto psicológico para as pessoas afetadas?

A incontinência urinária pode ter um impacto psicológico significativo, muitas vezes subestimado. A sua consideração faz parte integrante de um tratamento global e atencioso.

Várias dimensões podem ser afetadas. A vergonha e a sensação de perda de controlo são frequentes e conduzem a um tabu persistente: a maioria das pessoas espera vários anos antes de procurar ajuda, apesar de os tratamentos terem uma eficácia comprovada.O isolamento social instala-se progressivamente devido à evitação de atividades em que uma perda de controlo seria embaraçosa (desporto, saídas prolongadas, viagens, vida íntima).A ansiedade antecipatória e os sintomas depressivos são mais frequentes nas pessoas com incontinência, particularmente em caso de perdas frequentes ou significativas. A qualidade de vida global é significativamente afetada, de acordo com as escalas de avaliação validadas (questionários de qualidade de vida específicos para a incontinência). A vida íntima e sexual pode ser afetada pelo medo das perdas e pela alteração da imagem corporal. É essencial um acompanhamento solidário: desdramatizar a situação, recordar a frequência desta patologia e a existência de soluções eficazes, incentivar a comunicação com o médico e os familiares. O recurso a um psicólogo pode ser útil em caso de impacto emocional significativo.

Os dispositivos médicos são úteis?

Vários dispositivos médicos podem complementar o tratamento da incontinência urinária, dependendo das situações. A sua prescrição e adaptação dependem de uma avaliação médica.

Estão disponíveis várias opções, dependendo do tipo de incontinência e do perfil da paciente. Os pessários são dispositivos de silicone introduzidos na vagina para apoiar os órgãos pélvicos e limitar as perdas de urina associadas a um prolapso; podem ser recomendados a mulheres que não podem ser submetidas a cirurgia ou que estão à espera de uma intervenção. Os tampões uretrais intravaginais disponíveis nas farmácias (do tipo «Diveen», por exemplo) oferecem uma solução pontual para atividades de risco. As pinças urinárias externas são, por vezes, utilizadas nos homens em determinadas situações específicas (sob rigorosa supervisão médica devido ao risco de complicações). Os estimuladores nervosos (neuromodulação sacral por implante) são indicados nas formas graves de urgência urinária resistentes aos tratamentos médicos, após avaliação urológica especializada. As sondas urinárias intermitentes podem ser indicadas em casos de bexiga neurológica com retenção. As proteções absorventes específicas para a incontinência (a distinguir das proteções higiénicas convencionais) acompanham frequentemente o tratamento; existem em vários níveis de absorção para responder a todas as situações, em complemento aos outros tratamentos.

Como é que a tecnologia pode ajudar?

Várias soluções tecnológicas oferecem um apoio complementar na gestão da incontinência urinária. A sua utilização integra-se no tratamento global, em conjunto com o acompanhamento médico.

As aplicações móveis dedicadas ao acompanhamento dos hábitos urinários (diário urinário digital, lembretes para os exercícios de Kegel) facilitam a adesão ao tratamento e o acompanhamento com o profissional de saúde. A reabilitação perineal assistida por dispositivos conectados disponibiliza sondas vaginais equipadas com sensores (de marcas como Emy, Elvie, Perifit) que se ligam a uma aplicação para smartphone para orientar e visualizar as contrações do períneo através de exercícios lúdicos, a utilizar após indicação do fisioterapeuta ou do ginecologista. As tecnologias tradicionais de biofeedback (no consultório ou em casa) permitem visualizar a atividade muscular pélvica em tempo real e melhoram a eficácia dos exercícios, garantindo a correta execução das contrações. A telemedicina permite agora consultas urológicas ou ginecológicas à distância, facilitando o acompanhamento de pessoas com mobilidade reduzida. A investigação está também a desenvolver dispositivos implantáveis inteligentes e terapias por estimulação elétrica externa não invasiva. Estas soluções tecnológicas continuam a ser complementos a um tratamento médico e não substituem a avaliação médica inicial nem o acompanhamento regular.

A incontinência urinária é reversível?

A reversibilidade da incontinência urinária depende em grande medida da sua causa, da sua gravidade e da qualidade do tratamento. Muitas situações melhoram significativamente com um tratamento adequado.

Várias situações são frequentemente reversíveis.A incontinência de esforço moderada em mulheres jovens ou após o parto responde frequentemente muito bem à reabilitação perineal e pode desaparecer completamente com uma reabilitação rigorosa.A incontinência de urgência pode ser significativamente melhorada através de alterações comportamentais e de tratamentos medicamentosos.A incontinência por refluxo associada a uma obstrução (nomeadamente hipertrofia da próstata) pode regredir após o tratamento da causa. Por outro lado, certas formas são menos reversíveis: incontinências neurológicas no contexto de patologias crónicas evolutivas, incontinências pós-cirúrgicas graves, formas muito antigas e negligenciadas com comprometimento significativo do pavimento pélvico. O prognóstico individual só pode ser estabelecido após uma avaliação médica especializada. A mensagem essencial continua a ser que existem quase sempre soluções eficazes para reduzir significativamente as perdas de urina e melhorar a qualidade de vida, mesmo nas formas mais complexas. A consulta precoce melhora as hipóteses de sucesso terapêutico: a espera prolongada e a resignação devem ser evitadas.

Que conselhos para a gestão noturna?

A nictúria (micções noturnas frequentes) ea incontinência noturna merecem uma abordagem específica. Algumas medidas simples melhoram significativamente o conforto noturno e a qualidade do sono.

Podem ser aplicadas várias recomendações. Ajustar a ingestão de líquidos: limitar (sem eliminar) as bebidas nas 2 a 3 horas que antecedem a hora de dormir, especialmente as bebidas com efeito diurético (cafeína, álcool, chá). Esvaziamento sistemático da bexiga à hora de se deitar, com, se necessário, uma segunda micção alguns minutos após a primeira (dupla micção). Proteções absorventes adequadas para a noite (proteções mais volumosas ou fraldas completas, consoante as necessidades), a escolher com a ajuda do farmacêutico de acordo com o nível de incontinência. Adaptação do ambiente: luz noturna para facilitar os deslocamentos noturnos, remoção de obstáculos no percurso até à casa de banho, cadeira sanitária ao pé da cama para pessoas com mobilidade reduzida ou por razões de segurança (prevenção de quedas noturnas, especialmente em idosos). Tratamento medicamentoso específico da nictúria possível em determinados doentes selecionados (nomeadamente desmopressina) após avaliação médica rigorosa, com contraindicações a respeitar (hiponatremia, insuficiência cardíaca). Avaliação das comorbidades suscetíveis de agravar a nictúria: insuficiência cardíaca, síndrome da apneia do sono, hipertrofia da próstata, diabetes mal controlada. Recomenda-se uma consulta médica em caso de nictúria recente, incómoda ou em agravamento.