Os cuidados capilares devem ser adaptados à natureza do couro cabeludo antes de qualquer outro critério. Dois perfis opostos exigem cuidados radicalmente diferentes:
O couro cabeludo misto (raízes oleosas, pontas secas) beneficia de um champô equilibrante nas raízes e de um tratamento nutritivo aplicado apenas nos comprimentos. A natureza do couro cabeludo pode evoluir com a idade, as estações do ano ou as alterações hormonais — reavalie regularmente o seu perfil capilar. Os cabelos secos, em particular, respondem bem aos cuidados à base de bambu e queratina para restaurar o brilho e a flexibilidade.
Os séruns capilares são tratamentos concentrados sem enxaguamento, para aplicar no cabelo húmido ou seco. Um sérum com óleo de rícino (ácido ricinoleico, ómega-9 hidroxilado) nutre as pontas secas, fortalece a fibra capilar e estimula o crescimento — dosifique com precisão (1 a 2 doses) para não deixar o cabelo pesado. O sérum de figo-da-barbária (ácido linoleico, vitamina E tocoferol) confere brilho e nutrição leve sem deixar o cabelo oleoso — particularmente indicado para cabelos pintados ou expostos ao sol. O óleo de coco, o único óleo que penetra no córtex, reduz a perda de proteínas capilares — como pré-champô ou como sérum de acabamento leve.
A caspa resulta de uma proliferação excessiva do fungo Malassezia furfur, que acelera a renovação da epiderme do couro cabeludo. Os champôs anticaspa de tratamento contêm agentes antifúngicos (piritiona de zinco, ciclopirox, dissulfureto de selénio, cetoconazol) e/ou esfoliantes (ácido salicílico, enxofre). As fórmulas 2 em 1 são práticas, mas menos eficazes do que as fórmulas em duas etapas para casos graves. Estes champôs devem ser utilizados como tratamento curativo (3 a 4 vezes por semana durante 4 a 6 semanas) e, posteriormente, como tratamento de manutenção (1 a 2 vezes por semana). O champô fortificante com queratina pode ser alternado com os anticaspa para nutrir a fibra capilar fragilizada pelos tratamentos.
A hena neutra (Cassia obovata, diferente da hena corante Lawsonia inermis) é utilizada pelas suas propriedades revestidoras, suavizantes e fortificantes — sem pigmento, não tinge, mas reveste o cabelo e confere-lhe um brilho natural. A medula de bambu (sílica orgânica, proteínas vegetais) reforça a fibra capilar, facilita o penteado e confere leveza aos cabelos secos e sem brilho. Estes ingredientes ativos naturais integram-se em fórmulas com certificação biológica (Ecocert, Cosmébio) que respondem a uma procura crescente de cuidados respeitadores da saúde e do ambiente.
O champô sólido (barra capilar, 50 a 80 g = 2 a 3 frascos de champô líquido) é geralmente isento de água, de conservantes antimicrobianos, de sulfatos agressivos (tensioativos suaves: SCI, lauroil lactilato de sódio) e de plástico. A sua eficácia de limpeza é comparável à dos melhores champôs líquidos suaves, desde que se enxague bem o couro cabeludo. O período de adaptação (2 a 4 semanas) pode tornar o cabelo temporariamente mais pesado — algo a ter em conta. Estes champôs integram-se naturalmente numa rotina biológica que respeita o couro cabeludo.
Os séruns capilares não são adequados para todos os tipos de cabelo sem uma adaptação prévia. Os cabelos muito finos e oleosos devem evitar os séruns oleosos pesados (ricino, abacate), que os tornam pesados e aceleram a oleosidade — os séruns leves à base de água ou à base de ácido hialurónico vegetal são mais adequados. Por outro lado, os cabelos grossos, encaracolados ou crespos suportam séruns mais ricos e podem beneficiar de quantidades maiores. No caso dos cabelos oleosos, o sérum (se for utilizado) deve ser aplicado exclusivamente nos comprimentos e nas pontas, nunca no couro cabeludo. A chave para uma rotina capilar eficaz continua a ser a adaptação precisa de cada produto ao perfil real do cabelo e do couro cabeludo — não existe um tratamento universal. Os champôs biológicos sem sulfatos constituem frequentemente a melhor base para construir uma rotina capilar saudável, independentemente do tipo de cabelo.