A dismenorreia refere-se a dores menstruais que vão desde um simples desconforto até cólicas incapacitantes na parte inferior do abdómen, que por vezes se irradiam para as costas e as coxas. Presenta-se em duas formas. A dismenorreia primária ocorre sem causa orgânica identificada e está associada à superprodução de prostaglandinas. A dismenorreia secundária resulta de uma patologia subjacente — endometriose, miomas, pólipos uterinos ou infeções pélvicas. Estas duas formas requerem abordagens diagnósticas e terapêuticas distintas.
A dismenorreia primária tem início com a primeira menstruação, surge geralmente nas primeiras horas do período menstrual e atenua-se ao fim de dois a três dias. É acompanhada por náuseas, dores de cabeça e cansaço. A dismenorreia secundária surge mais tarde na vida reprodutiva, começa frequentemente vários dias antes da menstruação, intensifica-se com o tempo e pode ser acompanhada por dores durante as relações sexuais, hemorragias irregulares ou sintomas urinários. Estas diferenças orientam o médico para a causa e para o tratamento adequado.
Na dismenorreia primária, as prostaglandinas — libertadas durante o ciclo pré-menstrual — provocam contrações uterinas intensas e reduzem o fluxo sanguíneo no músculo uterino, gerando uma dor isquémica. Quanto mais elevados forem os níveis de prostaglandinas, mais intensas serão as cólicas. A dismenorreia secundária envolve lesões orgânicas — tecido endometrial ectópico na endometriose, implantes fibromatosos — que agravam as contrações e a inflamação em cada ciclo.
O tratamento de primeira linha baseia-se nos AINEs — ibuprofeno, naproxeno — que inibem a síntese das prostaglandinas e reduzem as contrações. Os contraceptivos orais regulam as hormonas e atenuam a intensidade das dores cíclicas. Os ómega-3 exercem uma ação anti-inflamatória natural, modulando a produção de prostaglandinas. O magnésio relaxa as fibras musculares uterinas. A acupuntura, o ioga e a fitoterapia complementam o arsenal terapêutico sem efeitos secundários.
A alimentação modula diretamente a intensidade das cólicas. Os ácidos gordos ómega-3 presentes nos peixes gordos e nas sementes de linhaça competem com as prostaglandinas pró-inflamatórias e reduzem as contrações. Reduzir o consumo de cafeína e de sal limita a retenção de líquidos e as tensões pélvicas. Os alimentos ricos em magnésio — espinafres, leguminosas, amêndoas — relaxam os músculos lisos. Os probióticos estão a ser estudados pelo seu potencial papel na redução da inflamação menstrual através do microbioma intestinal, uma via promissora confirmada por dados preliminares.
A dismenorreia grave tem um impacto psicológico significativo. A dor recorrente e previsível gera ansiedade antecipatória, episódios depressivos e uma alteração nas relações pessoais e profissionais. Este aspeto é frequentemente subestimado no tratamento. As terapias cognitivo-comportamentais, o apoio psicológico ou os grupos de partilha permitem às mulheres desenvolver estratégias de adaptação eficazes e preservar a sua qualidade de vida, apesar da recorrência dos sintomas.
Nas adolescentes, a dismenorreia é frequentemente intensa durante os primeiros ciclos irregulares e geralmente atenua-se com a idade. Uma alimentação equilibrada, atividade física regular e uma boa gestão do stress constituem os pilares do tratamento não medicamentoso. Os AINEs podem ser utilizados pontualmente sob supervisão médica. A educação sobre a saúde menstrual e uma comunicação aberta com os pais ou com o médico assistente são essenciais para evitar que as dores sejam menosprezadas e para permitir um diagnóstico precoce de qualquer causa secundária.
É necessária uma consulta se as dores perturbarem as atividades diárias, já não responderem aos tratamentos habituais ou se a sua natureza e intensidade evoluírem. Estes sinais podem revelar uma dismenorreia secundária associada a uma patologia orgânica que exija um exame aprofundado — ecografia pélvica, laparoscopia. Qualquer dor que ocorra fora do período menstrual ou que acompanhe menstruações irregulares merece igualmente uma avaliação ginecológica imediata.